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Israel: Tel-Aviv e Jaffa

março 20, 2010

A primeira parada em Israel não poderia ter sido melhor escolhida. Tel-Aviv é uma cidade nova e moderna, e sob forte influência do ocidente. Apesar do tráfego pesado e da maneira alucinada que a maioria dos motoqueiros dirigem por aqui (muitas vezes pela calçada), a atmosfera da cidade é positiva e é impossível resistir a tentação de parar a cada 3 ou 4 quarteirões para saborear um café, croissant ou um falafel se a fome for grande.

Ao chegar na cidade fui recepcionado pela minha anfitriã, Sivan, uma israelita de origem do norte da África (Tunísia, Líbia, Marrocos) e caimos pela noite em meio a copos de Goldstar, a cerveja local, e alguns aperitivos típicos – e outros nem tanto. Os bares servem para todo tipo de cliente, mas em geral os preços são convidativos e o ambiente quase sempre aconchegante. Em especial no coração da cidade, em King George St e redondezas é difícil não encontrar algo que se encaixe no orçamento e nas preferências (musicais e culinárias). Um dos lugares mais legais fica na Almonit Alley, travessa da King George St e chama-se Salon Mazal. É uma espécie de café/livraria estritamente vegan e que poderia ser descrito como um centro de cultura alternativa – além de possuir internet de graça.

Em se tratando de compras, Tel-Aviv também surpreende. Na área conhecida como Yemenite Quarter tem um dos maiores mercados (Carmel Market) que vende desde temperos e vegetais a roupas e acessórios, tudo a preços muito bons.  Ao lado tem também a Sheinken Street com roupas de grife e restaurantes mais gabaritados. Ainda que nada disso interesse, vale a pena descer a Sheinken St e depois andar pela Rothschild Blvd para conferir um pouco da arquitetura, predominatemente Bauhaus, de Tel-Aviv e subir novamente via Nahalat Binyamin St para dar uma passada pelo Carmel Market.

Evidentemente que estando em Tel-Aviv não se pode deixar de ir até a praia, onde estão provavelmente os mais elegantes prédios da cidade. Uma boa maneira de se chegar lá a partir da King George St/Yemenite Quarter é pela Allenby St, a artéria da cidade que termina de frente para o mar. Daqui até a velha cidade de Jaffa são apenas 2kms.

Finalmente após um banho no mediterrâneo e algumas cervejas na praia, é hora de seguir rumo a Jaffa. O histórico porto de Jaffa, com seus 4.000 anos de história, costumava ser a primeira parada dos peregrinos que vinham a terra santa. A pequena vila tem boas galerias de arte e cafés, uma atmosfera aconchegante e tranquila além de comida boa e barata. Jaffa é dividida em duas parte, a cidade velha (Old Jaffa) que é o que provavelmente mais interessa ao turista e a cidade nova (New Jaffa) conhecida pelos seus mercados a céu aberto.  Não foi preciso mais do que algumas horas para dar uma boa volta por Jaffa e saborear alguns pratos locais, e a caminhada até lá foi tão prazerosa que resolvi voltar a Tel-Aviv andando também. Além disso só a visão panorâmica que se tem a partir do anfiteatro , tanto de Tel-Aviv quanto do mar, já valeria ter ido até Jaffa.


Destaques

– Cerveja Goldstar: marca local, mais barata que Heineken e afins. É um tanto mais amarga, o que eu considero positivo, mas geralmente é servida tão gelada que não se sente tanto o gosto.

– Pizza árabe em Jaffa: conhecida como pizza árabe, é o que eu já vi antes como esfiha. Entretanto os ingredientes variam e geralmente incluem ovos. Eu tive o prazer de comer uma com ovos, queijo e cogumelos, e foi fantástica. O lugar em que comi “Said Abu Elafia & Sons” é uma instituição local, e passa de geração a geração na mesma família (Abu Elafia) desde 1880. Conta ainda com mais de 20 tipos de pães.

– Noite em Tel-Aviv: a cidade não é tão atrativa durante o dia, mas quando cai a noite, tudo muda. Os bares e casas noturnas fervem. Porém tudo começa bem tarde, e é bobagem ir para a balada antes da meia-noite. Vale no entanto dar uma aquecida enquanto comendo alguma coisa em algum restaurante ou bar/restaurante.


Situações

– De estações de trem a shopping centers, e claro, repartições públicas, todos os lugares tem um segurança que revista bolsas e passa o detector de metais nas pessoas. Nas estações de trem existem máquinas de raio-x para verificar o conteúdo de bolsas – como as que existem em aeroportos.

– “Você tem alguma arma?” é uma pergunta comum, tanto em portas de lojas como bares. Entretanto, entende-se, avistar pessoas portando algum tipo de arma (das mais leves a fuzis) é um tanto comum e desconfortável, diga-se.

– A trilha sonora que me acompanhou em Tel-Aviv foi uma bela surpresa. Ao comprar protetor solar na farmácia estava ouvindo Interpol, tomando café ao som de Beck, almoçando com Radiohead e sem contar as baladas ao som de Smiths, New Order e Strokes. E eu não estava com os headphones em nenhum momento.

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