Posts Tagged ‘Oriente Médio’

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Próxima Parada – Oriente Médio (3/3)

fevereiro 28, 2010

Egito

Um museu a céu aberto, uma terra de patrimônios da humanidade e milhares de outros clichês turísticos, o Egito atrai hoje tantos visitantes quanto o fazia há milhares de anos. Monumentos fantásticos estão em todos os lugares, as pirâmides de Giza e o Vale dos Reis em Luxor são “apenas” os mais populares e um dos muitos que gerações de visitantes já puderam apreciar.

Apesar de toda a graciosa simetria e ordem de seus templos e monumentos,  o país não se encontra em uma situação muito confortável. Desemprego é alto, a economia está completamente fora dos trilhos e ataques terroristas acontecem cada vez com maior regularidade. Uma vez residência de faraós, o país hoje se encontra completamente dependente dos EUA, recebendo mais de 2 bilhões de dólares anuais em ajuda militar e econômica. E a lista vai longe com casos de policiais torturando prisioneiros, crianças trabalhando em indústrias, opositores sendo presos sem qualquer acusação, mulheres sofrendo discriminação constante, alta inflação e o meio-ambiente em constante abuso, com águas poluídas, superpopulação, entre outros males.

O Egito hoje tenta conter seus conflitos internos e finalmente formar a sua identidade como uma república islâmica de caráter moderado. E claro, uma das grandes razões que tornam o Egito um destino obrigatório é o fato de que o país se encontra em constante fluxo.  Das ruas sufocantes do Cairo ao desolador deserto, os egípcios são um povo flexível que conseguem encontrar seu humor e otimismo mesmo diante de todos os problemas. Viajar o Egito não é uma tarefa simples e descomplicada, mas certamente ajuda a ver as coisas sob uma outra ótica.

Roteiro
A inclusão do Egito foi puramente acidental, ou nem tanto. Originalmente a idéia era seguir da Jordânia até a Síria, porém por complicações com visto e fronteiras a idéia se tornou impraticável e, já que se está tão perto do Egito. Com poucos dias restando para o fim das férias, após cruzar a fronteira da Jordânia com Israel e de lá com Egito, uma parada rápida na cidade de Taba e pego o ônibus para o Cairo. A partir daí estima-se que a viagem pode levar de 7 a 9 horas.

O Cairo recebe a maior parte de minha atenção com cerca de 4 dias destinados a cidade, com visitas as pirâmides, evidentemente, além de Memphis a antiga capital e Alexandria. Do Cairo sigo para o extremo sul, seguindo o Nilo, rumo a Aswan. Um dia depois é hora de ir para Luxor e depois Hurghada, aqui infelizmente a viagem termina e é de onde o avião de volta para Londres decola.


10 coisas que o viajante deve saber

– Para os padrões europeus, o Egito é razoavelmente barato, embora passeios e entrada para os monumentos elevam um pouco o preço da viagem.  O mochileiro pode esperar gastar cerca de 20 euros por dia, embora isso torne a viagem um pouco limitada. Para ver todos os lugares e melhores refeições, a média varia de 30 a 40 euros por dia.

– Viajar o país é barato, e um trem de Cairo a Luxor custa cerca de 10 euros na primeira classe, com café da manhã e almoço inclusos.

– Aprenda um pouco do idioma. Embora o inglês seja quase uma segunda língua, muitos dos sinais em estações de trem e afins estão em árabe. Na pior das hipóteses tente ao menos se familiarizar com os números em árabe.

– Alugue uma bicicleta em Luxor ao invés de fazer o passeio de taxi. Se for a Aswan opte por um passeio pelo Nilo na região.

– Não toque nas ruínas. A deterioração dos templos, pirâmides e monumentos estão em níveis críticos.

– Vista-se de forma discreta. Especialmente nas áreas rurais, as comunidades são extremamente conservadoras. Cuidado com roupas reveladoras, evite demonstrações de afeto em público e comportamento que possa ofender outras pessoas.

– Scams: embora a população seja genuinamente hospitaleira, tome cuidado particularmente em áreas turísticas. Tenha seu plano em mente e não se deixe levar pelo “hello my friend” nesses lugares, já que isso poderia ser traduzido mais como “por aqui, otário”.

– Para as mulheres uma das coisas mais desagradáveis é a quantidade de bobagem que vai ouvir dos homens. Mulheres estrangeiras viajando só podem detestar o país por conta dessa experiência. A dica é evidentemente tentar ir na companhia de amigos, mas caso não seja possível, tentar ser educada e firme inicialmente pode dar conta, caso não seja o bastante seja grossa, mas não agressiva.

– A melhor época para visitar o país é entre Dezembro e Fevereiro, mas é também a alta estação. Uma boa alternativa é visitar na primavera (Março a Maio) ou outono (Setembro a Novembro).

– Procure se informar sobre que vacinas são necessárias e o faça com antecedência. O site MD Travel Health (www.mdtravelhealth.com) tem uma boa lista de recomendações separadas por país.

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Próxima Parada – Oriente Médio (2/3)

fevereiro 14, 2010

Jordânia

“Ahlan wa Sahlan!”, expressão arábe de boas vindas, é de acordo com os que já visitaram a Jordânia uma das coisas que o viajante mais ouve seguido de sorrisos e um sentimento genuíno de hospitalidade. Diz-se que é impossível passar um dia sem ser convidado para um chá, seja na casa de um local na cidade ou em um acampamento beduíno. Dizer que o povo de um país é amigável e hospitaleiro é geralmente um clichê de viajantes, mas afirma-se que neste caso chega a ser um pouco injusto e deve-se enfatizar um pouco mais essa virtude local.

A Jordânia é um dos países mais interessantes do Oriente Médio e, provavelmente, do mundo. Dentre os países árabes é um dos mais ocidentalizados, embora evidentemente preserve a maioria dos costumes vigentes em sociedades árabes. Considerando sua posição, entre Israel, Síria, Iraque e Árabia Saudita, a Jordânia é um país relativamente próspero e embora ainda tenha alguns problemas, a educação e a segurança na região só tem melhorado nos últimos anos. É certamente um destino almejado por qualquer viajante e pode-se facilmente entender o porquê, já que conta com um dos mares mais peculiares do mundo (Mar Morto), cidades que datam da era Romana, castelos no deserto, cadeias de montanhas fantásticas e, claro, a cidade de Petra.

O roteiro
Após cruzar a fronteira com Israel e adquirir meu visto, pego um taxi para Irbid. Comparado com o resto do país Irbid pode não ser muito atrativa, mas se trata de uma cidade universitária e prato cheio para quem gosta de curtir a vida noturna. Depois de uma noite por lá, vou rumo a Amman, capital do país, mas não sem antes parar em Jerash para verificar uma das mais impressionantes ruínas romanas da região e uma cidade que existe há cerca de 6.500 anos, além de ter sido uma das dez maiores cidades do império romano.

Finalmente é a hora de conhecer Amman, capital da Jordânia. Frequentemente menosprezada em guias de turismo, Amman é uma cidade interessante que compreende cerca de 9 milênios de história. Embora pouco tenha restado para atestar toda a história da cidade, a Cidadela – como é conhecido um dos mais importantes sítios arqueológicos da região – reserva boas surpresas que datam de 730 AC.  Além disso, Ammam é um excelente lugar para se tomar um café ou mesmo fazer umas compras já que conta com um dos mais sofisticados comércio da região. Um dia e uma noite de baladas em Ammam e é hora de cair na estrada.

Rumo ao sul, pela “King´s Highway”, com uma bela paisagem desértica me acompanhando, é hora de visitar a fantástica cidade de Petra. Faltam adjetivos para descrever Petra, e embora soubesse que se tratava de um lugar explêndido (umas das novas maravilhas da humanidade) após ler mais a respeito, decidi que ao invés de dois dias, deveria passar pelo menos quatro. E o farei. A idéia é explorar bem a região, caminhar por toda a cidade e suas cavernas e ver “Petra by night”, um evento que acontece duas vezes na semana, onde a cidade é iluminada por velas, há grupos de música local e chá de menta a vontade. Ainda melhor, ao invés de ficar em um dos muitos hotéis de Wadi Musa, vou passar meus dias num acampamento beduíno com uma família. Evidentemente que uma visita ao deserto de Wadi Rum é necessária.

Depois de tudo isso é hora de partir rumo a Aqaba e de lá seguir rumo ao Cairo numa cansativa viagem de mais de 10 horas.


Coisas que se deve fazer enquanto na Jordânia

– Visitar o deserto de Wadi Rum, a pé, a camelo ou em um jeep. Suas formações rochosas são únicas!
– Sair com os locais para os cafés, fumar argileh (hookah) e jogar cartas ou gamão.
– Provar o prato nacional Mansaf. Carne de ovelha cozida em iogurte e servida com arroz.
– Passar uma noite no deserto de Wadi Rum com os beduínos.
– Petra!

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Próxima Parada – Oriente Médio (1/3)

fevereiro 3, 2010

Israel/Palestina

Viajar por Israel e Palestina tem dois lados distintos. Israel é moderna e ocidentalizada, conta com transporte público de qualidade, infraestrutura e tem inglês praticamente como terceira língua. É um país pequeno, reduzindo assim o tempo na estrada entre um lugar e outro além dos preços do transporte, entretanto, de forma geral os preços tendem a ser altos e comparados com a maioria dos países do Ocidente. Pouca coisa precisa ser planejada no sentido de vistos, passeios e acomodação e é um desses lugares que você pode simplesmente decidir na última hora que vai passar alguns dias e voar para lá.

A Palestina, no entanto, é outra história. Infraestrutura está abaixo dos padrões mínimos e depender unicamente do inglês pode ser um desafio. Enquanto Gaza é inacessível para turistas, qualquer um pode visitar o “West Bank”. Passeios para o West Bank são uma excelente idéia, e recomendados mesmo para os que preferem fazer as coisas por conta própria, pois a maioria dos passeios organizados envolvem muita informação sobre a situação local e também segurança.
Bom, mesmo considerando isso e um pouco mais, amigos e família ficaram perplexos ao saberem desse meu próximo destino, dada a reputação de guerras e terrorismo na região. Vale lembrar que mais pessoas morrem em acidentes de trânsito quando vão para o litoral ou interior do que em ataques terroristas em Israel e na Palestina.

O roteiro
Saindo de Londres, a primeira parada é Tel-Aviv. A cidade que nunca para e não conhece finais de semana, porque todo dia é “final de semana”. Conhecida por sua população laica, extremo oposto de Jerusalém, e suas intermináveis noitadas em casas noturnas e bares, Tel-Aviv é uma cidade moderna que poderia estar localizada em qualquer parte da Europa.

Após alguns dias e festas em Tel-Aviv, sigo rumo a Jerusalém, a cidade da qual pessoas vem escrevendo a respeito nos últimos 3.000 anos. Mais do que bela, Jerusalém é um centro espiritual, e local sagrado para judeus, cristãos e islâmicos. Mesmo não sendo religioso, o fato de que três das maiores religiões do planeta reservam tanta importância a uma simples cidade faz da visita a Jerusalém algo especial e deve ser difícil não ceder a certo apelo emocional ao cruzar as antigas ruas e alamedas da cidade velha. A partir de Jerusalém faz-se obrigatória a visita ao Mar Morto e ao forte de Massada.

Depois de vários dias em Jerusalém, contando o Shabbat, é hora de ir para a Palestina. Uma breve visita a Ramallah e sigo para Belém, Herodian e o maior campo de refugiados da região. É hora de ver a realidade dos palestinos, a muralha que divide os dois povos e conversar com os locais. Essa é uma parte que considero muito importante, e certamente pode mudar muitas idéias pré-concebidas a respeito do que acontece por lá.

Volto a Jerusalém e de lá sigo para Haifa, com paradas em Caesarea e Megiddo, a primeira são as ruínas de uma importantíssima cidade no passado (comparada a Alexandria nos tempos de glória) e o segundo é onde, de acordo com a lenda, o Apocalipse vai começar. Haifa, por outro lado, é um exemplo de coexistência pacífica entre árabes e judeus e repleta de história. A cidade data do século III e foi construída nas encostas do Monte Carmelo além de ser casa do Centro Mundial Bahá´i, um patrimônio mundial da UNESCO. Após a breve visita a Haifa é hora de cair na estrada e ir para Acó (Akko ou Acre), cidade medieval dos cruzados que se encontra perfeitamente preservada. Dizem que as coisas não mudaram muito desde a época dos cruzados e Marco Polo, e tem se um sentido real de cidade medieval ao andar por suas ruas estreitas, especialmente ao anoitecer.

Finalmente, após uma noite em Acó é hora de fazer as malas e partir rumo a Jordânia, porém não sem antes parar por algumas horas e um pouco de hummus em Nazaré, onde o tal Jesus teria vivido sua infância. Ao contrário de Acó, as coisas aqui parecem que  mudaram bastante, e não tem mais qualquer semelhança com os cartões de natal. De Nazaré rumo a fronteira, com uma breve parada nas ruínas de Beit She´an, a maior das ruínas deixada pelo império romano em território israelita. Depois disso, um táxi até a remota fronteira e… burocracia.

Lamentavelmente faltará tempo para o Mar da Galiléia, mas tudo por uma boa razão, passar mais tempo na Jordânia.


Curiosidades

– A semana começa no domingo e termina na quinta. Sexta e sábado é o final de semana. O horário comercial vai das 9 as 7, e tem um intervalo das 2 as 4, quando lojas se encontram fechadas. Em vizinhanças árabes, o Shabbat (sábado) é ignorado e o comércio funciona, mas geralmente é fechado na sexta, que é o dia de descanso para os árabes. Confuso? Em lugares de maioria cristã, o domingo é o dia do descanso.

– Os idiomas oficiais são o Hebreu e o Árabe. Mas inglês é bem falado pela maioria dos israelitas.

– Em Tel-Aviv é muito raro ver um executivo vestindo terno e gravata. Enquanto no ocidente, escritórios abordam um caráter mais informal na sexta, em Tel-Aviv isso vale para toda a semana.

– O simples visto de Israel no passaporte fecha as portas para certos países. O visto significa que o portador do passaporte está banido da Síria, Líbano, Irã, Arábia Saudita, Líbia e Iêmen. E pode ter problemas  no Bahrain, Catar, Emirados Árabes e Oman, mas estes são mais flexíveis. Muitas pessoas pedem o visto israelita em um pedaço de papel, mas os oficiais de imigração dos primeiros países citados podem ser meticulosos, e se você tem um carimbo de entrada na Jordânia ou Egito, recebido na fronteira com Israel, sua visita está cancelada.

– As fronteiras de Israel com Líbano e Síria estão fechadas. Não há como cruzar para esses países, e há riscos de minas terrestres no caminho, de qualquer forma.

– Uma das maneiras mais baratas de viajar até Israel é a partir de Frankfurt e, principalmente, Londres. Pela easyjet consegue-se vôos por menos de £150 (retorno) se comprado com antecedência e fora de qualquer época de férias ou feriado.