Posts Tagged ‘Jordânia’

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Jordânia: Petra/Wadi Musa (Aqaba)

abril 1, 2010

Se você for só para um lugar na Jordânia, esse lugar tem que ser Petra. Com suas imponentes fachadas de seus imensos templos esculpidos em sólidas rochas multicoloridas, além dos grandes túmulos que resistiram ao tempo e estão ali muito antes do domínio romano, Petra tem que estar em qualquer lista decente de lugares a serem vistos. Até meados dos anos 80, muitas das cavernas da região ainda eram a residência dos beduínos da região, e muitos ainda vivem nos arredores, ganhando a vida vendendo lembranças e artesanato a centenas de turistas que visitam o local diariamente.

Petra é essencialmente uma área turística. Colado ao local está a cidade de Wadi Musa que consiste basicamente de hotéis, mercados e restaurantes. Praticamente todos os hotéis de Wadi Musa estão localizados a uma caminhada de Petra, mas quase todos oferecem transporte gratuito para o local – taxis custam apenas 1 dinar, de qualquer forma.

Geralmente precisa-se de 2 ou 3 dias para explorar bem a região, a caminhada da entrada até o monastério (que marca o fim da cidade) leva, em média, 1h30 se for feito sem paradas, mas isso seria tolice. Petra está localizada em um vale, cercada por montanhas, e há diversas trilhas que levam até o topo oferecendo uma diferente perspectiva da cidade. A maioria dos turistas, no entanto, prefere seguir direto da entrada até o monastério e voltar, logo seguir pelas trilhas é também uma forma de evitar o grande número de turistas no local. Dentre as trilhas essenciais está, claro, a que leva até o monastério (1h30, ida-e-volta), a que explora as “Royal Tombs” (30-40 minutos, ida-e-volta) e, finalmente, a que leva até o topo do “Treasury”, passando por trás das “Royal Tombs” (1h30, ida-e-volta), sendo essa última uma das que oferece a clássica visão “Indiana Jones” de Petra e, embora tenha esse atrativo, poucas pessoas seguem esse caminho.

Há muito a ser dito sobre Petra, e numa visita a cidade é essencial ler mais sobre a história do local para se ter uma idéia de como era a vida há 4.000 anos, e dar um significado maior a sua visita. Mas, independente disso, o que se vê é de fato algo impressionante.

Concluindo a viagem a Jordânia, abandonei Petra mais cedo e segui para Aqaba, na fronteira com Israel. É uma dessas cidades feitas para turistas, onde navios-cruzeiros estacionam regularmente e hordas vão para o solo, ou para Petra. Não há muito a ser visto, mas o contraste entre deserto e resort é algo até que legal de analisar. Fora isso é bem conhecida por scuba-diving, mergulhos e esportes no mar, mas muito mais caro que as cidades que oferecem o mesmo tipo de serviço do outro lado, no Egito – e muitos dizem que não é tão impressionante quanto o que se vê no Egito.

Bom, a visita a Jordânia foi curiosa. Por momentos me senti celebridade, como em Umm Qais ao tirar fotos com os locais, ou em Ma´an onde era praticamente o único branco loiro na cidade e despertava olhares curiosos onde quer que eu fosse. Nas viagens pelo transporte público, entre cidades, também recebia olhares e tentativas de conversação dos locais que, geralmente, não falavam inglês (e tampouco eu pude falar árabe). Em diversos momentos me senti lesado, especialmente em Aqaba e Amã, já que muitos locais acham que turistas são sinônimos de dinheiro fácil. Mas, de forma geral, o povo é acolhedor e sempre oferece as boas-vindas. Uma dica essencial para a Jordânia é tenha certeza do que vai pagar antes de aceitar qualquer serviço, não se intimide de perguntar o preço de QUALQUER COISA ou serviço, antes de colocar a mão ou aceitar, seja uma garrafa de água no meio de uma trilha em Petra ou uma foto em cima de um camelo. Barganhe SEMPRE!

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Jordânia: Jerash e o Norte

março 29, 2010

A área ao norte de Amã, e fronteira com Israel e Síria, é a mais populosa do país e, ao visitar, não é difícil entender a razão. Por entre as colinas verdes repletas de oliveiras, correm os principais rios do país (afluentes do Jordão) e percorrendo as estradas não é preciso muita imaginação para associar essa área com outra qualquer do Mediterrâneo.

No segundo dia em Amã resolvi embarcar em um tour de um dia pelo norte do país, o destino eram as ruínas romanas de Umm Qais (Gadara) e Jerash (Gerasa), além do castelo de Ajlun e uma breve passagem por Irbid. Para tal contratei os serviços de um taxista, o beduíno radicado em Amã, Allen – para o qual reservei uma pequena parte desse relato ao final. Juntaram-se a mim uma professora alemã, uma escocesa radicada no Azerbaijão e uma californiana que andou viajando o mundo nos últimos 15 meses.

A primeira parada foi em Irbid, para uma volta pela cidade e o café da manhã. Irbid é uma cidade universitária, e uma das mais excitantes da região. Há vários cafés e bons restaurantes pela cidade, além de alguns bons museus, mas falta um pouco de charme e a cidade é um tanto ordinária. Entretanto Irbid é uma boa base para explorar melhor a região, já que é bem conectada a todos os outros pontos de interesse, além da proximidade com a fronteira de Israel.

Mais ao norte estão as ruínas da antiga Gadara, hoje em dia conhecida como Umm Qais. As ruínas não são tão impressionantes quanto as de Jerash – o lugar é pouco visitado por turistas mas bem frequentado pela população local. As ruínas são interessantes pois são uma mistura de uma antiga cidade romana com uma relativamente intacta vila da era otomana. Daqui também se tem uma bela visão da região do Golan na Síria e do Mar da Galiléia em Israel. Foi aqui que começou uma história de celebridade na Jordânia, com locais me pedindo para tirar fotos com eles e alguns comentários dizendo algo como “você se parece com os caras dos filmes americanos”. Boa parte do tempo eu me vi rodeado de pessoas curiosas.

Fotos depois, foi a hora de conhecer Ajlun (ou Ajloun). O castelo (Qala´atar-Rabad) é um exemplo em excelentes condições de arquitetura militar islâmica. O forte foi construído no topo do Monte Auf (1250 metros de altura), e data de 1184. Era um ponto estratégico na época pois comandava todo o vale ao redor, e foi extremamente importante na resistência contra as Cruzadas. A visão do topo é fantástica.

Finalmente era hora de ir até Jerash. 2.000 anos de história preservados de maneira surpreendente, a cidade em seus tempos de glória teve entre 15.000 e 20.000 habitantes. Ao adentrar as ruínas, tudo impressiona. Do portão central que é enorme, e originalmente tinha o dobro da altura, passando pelo círculo oval – praticamente intacto, até o anfiteatro que originalmente tinha a capacidade para 5.000 pessoas (e ainda hoje tem capacidade para 3.000), a cidade conseguiu sobreviver ao tempo. Há mais de 50 colunas de pé, algumas são imensas, e todas cheias de ornamentos. Pode-se perder horas andando pelo local, pois as ruínas se estendem por uma grande área e o fato de que está muito bem preservada torna a exploração do local interessante o tempo todo.

O tour levou o dia todo, e partiu bem cedo da capital. Ao todo gastamos 70 dinars, o que é relativamente pouco, considerando que tínhamos o motorista e um taxi a nossa disposição o tempo todo. Originalmente eu pensei em fazer isso contando com transporte público, mas dada a “flexibilidade” com que este opera, eu recomendo o motorista particular.


Sabedoria de Allen

– Casamento: “Homens do ocidente só podem ter uma esposa!? Aqui podemos ter até quatro. Mas eu acho isso estúpido. Esposa é trabalho e problema. Eu quero ½ esposa.”

– Deserto: “Eu não gosto do norte, é muito verde, e tudo dentro da lei. No deserto tem lei, mas nós passamos por cima, por baixo, pelo meio.”

– Amã: “É uma cidade boa, mas tem muito palestino, iraquiano, árabe. Tem muita gente as vezes.”

– Allen se dizia um exímio motorista. As estradas na Jordânia não são lá muito boas e geralmente tem-se uma faixa para cada direção e em alguns trechos conta-se com acostamento. Apesar disso, ele frequentemente acelerava seu taxi a até 160km/h, enquanto fumava um cigarro ou falava ao celular.

– Música: “Eu gosto de música de todo tipo. Mas as músicas do ocidente são muito parecidas. Eu acho música mexicana e escocesa, por exemplo, tudo igual. Mas tenho algo bom aqui… (Westlife).”

– Família: “Meu pai é agente secreto da Jordânia. Eu não posso dizer o que ele faz porque é meio que secreto.  Trabalha com a CIA e é bem famoso aqui, com o rei, você sabe…”

– Problemas com a lei: “O policial me parou, eu disse ´Ok, no problem´, ele me pediu dinheiro, eu disse ´Ok, no problem´. Depois ele quis apreender minha carteira de motorista, eu disse ´Ok, no problem´, mas no fim tudo deu certo. Aqui para tudo se dá um jeito.”

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Jordânia: Amã

março 28, 2010

A Jordânia é um país simples e barato para se viajar. Também não exige um planejamento muito grande já que o visto é emitido na chegada e há caixas ATM em toda esquina. E para um país tão pequeno a Jordânia tem distintas variações climáticas, das colinas verdes ao norte ao deserto de Wadi Rum ao sul, e o melhor é que é possível ver a maior parte do país em pouco tempo – mas é bom estar preparado para ônibus públicos que só partem quando estão com todos os assentos ocupados e coisas do tipo.

Depois de passar horas na fronteira com Israel, resolvi mudar meus planos. Conheci dois outros viajantes e juntos fomos diretos para Amã, capital do país, ao invés de ir rumo norte como havia planejado. Amã é uma moderna cidade árabe e não exatamente um centro cultural no Oriente Médio; nunca chegou aos pés de Damascus ou Cairo e geralmente quem chega de lá costuma ficar desapontado com a capital da Jordânia.

A identidade da cidade mudou muito durante os anos, tanto com a chegada de milhares de refugiados palestinos quanto com os refugiados iraquianos – a maioria acadêmicos, aos quais atribue-se a melhora na vida cultural da cidade e, junto da nova geração local, ter transformado Amã em uma cidade mais tolerante e com um pé no futuro.

Em muitos aspectos Amã se assemelha a Dubai, quando se vai a oeste da cidade é quase como andar por uma cidade do ocidente, embora a leste e centro da cidade é que se tem a real impressão de se estar em uma cidade árabe. O primeiro ponto de maior interesse é certamente a Citadela, em meio as ruínas romanas têm-se uma bela visão da cidade, e o museu arqueológico vale uma visita. De lá vale também uma caminhada até o teatro romano e o museu adjacente. Em essência esses são os pontos de maior interesse, o resto do dia pode ser gasto nos mercados locais (souqs). É quase lamentável que uma cidade com tanta história tenha hoje pouca evidência física de seu grande passado, a velha Philadelphia, como era conhecida antes praticamente não deixou nada para ser lembrada.

Curiosidades

– Amã é uma cidade que cresceu sobre várias colinas, e certamente não é uma cidade para se conhecer caminhando entre um lugar e outro. O transporte público é inexistente, porém taxis são muito baratos, só é preciso ter certeza que o taxista não esteja te explorando – é essencial pedir para ele ativar o taxímetro.

– Atravessar a rua é o primeiro desafio de quem chega em Amã, especialmente no centro da cidade. O segredo é se arriscar um pouco e fazer uma coisa por vez. Por exemplo, ao cruzar uma via de 3 corredores, primeiro faça um gesto para o carro diminuir e cruze uma via, a partir dali cruze a próxima e finalmente a última. Se quiser cruzar todas de uma vez, vai ter que esperar uma eternidade. E se um carro “passar raspando”, não se preocupe, é normal e bem calculado.

– O maior mastro do mundo se encontra aqui. Quase de qualquer ponto da cidade é possível avistar a bandeira da Jordânia no alto dos 127 metros do tal mastro.

– A cidade é dividida de uma maneira muito peculiar, onde a maioria das ruas é de uma mão só, e praças são conhecidos como círculos (e esse é um dos maiores pontos de referência: círculo 1, 2, 3…). Além disso há escadas, alamedas e colinas, e frequentemente uma rua tem mais de um nome.

– Por onde quer que se vá há sinais em inglês, em especial na capital. Mas o irônico é que a maioria não fala inglês, ou fala, mas muito mal e entende poucas palavras, raramente sentenças.

– Um bom lugar para se passar a noite e gastar pouco é o Farah Hotel, no meio do centro da cidade. É um dos poucos lugares na cidade onde se pode encontrar outros mochileiros e uma das grandes vantagens são os passeios que o hotel organiza, que também custam pouco e ajudam a fazer mais em menos tempo.

– Por fim, o povo é extremamente hospitaleiro. Onde quer que se vá, as pessoas perguntam sua origem para em seguida dizer “Bem vindo a Jordânia”, e nem estão tentando vender nada.

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Próxima Parada – Oriente Médio (2/3)

fevereiro 14, 2010

Jordânia

“Ahlan wa Sahlan!”, expressão arábe de boas vindas, é de acordo com os que já visitaram a Jordânia uma das coisas que o viajante mais ouve seguido de sorrisos e um sentimento genuíno de hospitalidade. Diz-se que é impossível passar um dia sem ser convidado para um chá, seja na casa de um local na cidade ou em um acampamento beduíno. Dizer que o povo de um país é amigável e hospitaleiro é geralmente um clichê de viajantes, mas afirma-se que neste caso chega a ser um pouco injusto e deve-se enfatizar um pouco mais essa virtude local.

A Jordânia é um dos países mais interessantes do Oriente Médio e, provavelmente, do mundo. Dentre os países árabes é um dos mais ocidentalizados, embora evidentemente preserve a maioria dos costumes vigentes em sociedades árabes. Considerando sua posição, entre Israel, Síria, Iraque e Árabia Saudita, a Jordânia é um país relativamente próspero e embora ainda tenha alguns problemas, a educação e a segurança na região só tem melhorado nos últimos anos. É certamente um destino almejado por qualquer viajante e pode-se facilmente entender o porquê, já que conta com um dos mares mais peculiares do mundo (Mar Morto), cidades que datam da era Romana, castelos no deserto, cadeias de montanhas fantásticas e, claro, a cidade de Petra.

O roteiro
Após cruzar a fronteira com Israel e adquirir meu visto, pego um taxi para Irbid. Comparado com o resto do país Irbid pode não ser muito atrativa, mas se trata de uma cidade universitária e prato cheio para quem gosta de curtir a vida noturna. Depois de uma noite por lá, vou rumo a Amman, capital do país, mas não sem antes parar em Jerash para verificar uma das mais impressionantes ruínas romanas da região e uma cidade que existe há cerca de 6.500 anos, além de ter sido uma das dez maiores cidades do império romano.

Finalmente é a hora de conhecer Amman, capital da Jordânia. Frequentemente menosprezada em guias de turismo, Amman é uma cidade interessante que compreende cerca de 9 milênios de história. Embora pouco tenha restado para atestar toda a história da cidade, a Cidadela – como é conhecido um dos mais importantes sítios arqueológicos da região – reserva boas surpresas que datam de 730 AC.  Além disso, Ammam é um excelente lugar para se tomar um café ou mesmo fazer umas compras já que conta com um dos mais sofisticados comércio da região. Um dia e uma noite de baladas em Ammam e é hora de cair na estrada.

Rumo ao sul, pela “King´s Highway”, com uma bela paisagem desértica me acompanhando, é hora de visitar a fantástica cidade de Petra. Faltam adjetivos para descrever Petra, e embora soubesse que se tratava de um lugar explêndido (umas das novas maravilhas da humanidade) após ler mais a respeito, decidi que ao invés de dois dias, deveria passar pelo menos quatro. E o farei. A idéia é explorar bem a região, caminhar por toda a cidade e suas cavernas e ver “Petra by night”, um evento que acontece duas vezes na semana, onde a cidade é iluminada por velas, há grupos de música local e chá de menta a vontade. Ainda melhor, ao invés de ficar em um dos muitos hotéis de Wadi Musa, vou passar meus dias num acampamento beduíno com uma família. Evidentemente que uma visita ao deserto de Wadi Rum é necessária.

Depois de tudo isso é hora de partir rumo a Aqaba e de lá seguir rumo ao Cairo numa cansativa viagem de mais de 10 horas.


Coisas que se deve fazer enquanto na Jordânia

– Visitar o deserto de Wadi Rum, a pé, a camelo ou em um jeep. Suas formações rochosas são únicas!
– Sair com os locais para os cafés, fumar argileh (hookah) e jogar cartas ou gamão.
– Provar o prato nacional Mansaf. Carne de ovelha cozida em iogurte e servida com arroz.
– Passar uma noite no deserto de Wadi Rum com os beduínos.
– Petra!