Archive for the ‘Viagens’ Category

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Ghent (Gentse Feesten)

agosto 5, 2010

Após toda a agitação do começo do ano, neste fantástico verão europeu foi hora de dar um tempo, acertar as finanças e claro ir em festivais de música. E foi um festival em particular que me levou a Ghent na Bélgica, uma cidade normalmente ignorada por turistas. Localizada na região norte (Flanders) entre Bruxelas, Bruges e Antuérpia, é fácil entender porque a maioria não toma conhecimento da pequena cidade. Ghent não é tão grande e cosmopolita quanto Bruxelas, nem tão bela quanto Bruges e tampouco antenada e atual quanto a Antuérpia, logo parece sobrar pouca coisa para atrair o visitante, mas se você é do tipo que evita as hordas de turistas, Ghent é uma excelente escolha.

Conhecida como Gent in flamenco e Gand em francês, Ghent foi um dia a maior cidade medieval européia depois de Paris, devido a sua posição estratégica em meio a rotas comerciais da época. Hoje em dia, Ghent é a maior cidade universitária da Bélgica, e embora não tão charmosa quanto Bruges é bem conhecida por seus canais e sua agitada vida norturna.

Gentse Feesten

O terceiro maior festival da Europa, embora pouco conhecido, é um dos mais divertidos e também baratos para se ir no verão. Não é um festival de cerveja, porém é fácil associar a idéia já que na região é possível encontrar mais de 200 marcas diferentes entre liquores e outras bebidas um tanto mais fortes e distintas.

O festival acontece todo ano, durante 10 dias no meio de julho (segunda quinzena). O coração da cidade se transforma completamente, e as muitas praças se tornam palcos e pistas de dança. Todo o acesso a festa é gratuito, e a cerveja de extrema qualidade vem a preços bem mais interessantes que outros festivais espalhados pela europa. A festa começa cedo todo dia, e principalmente durante o fim de semana, é fácil encontrar pessoas chegando para o começo da festa enquanto alguns estão terminando o que haviam começado no dia anterior.

O festival também inclui duas outras “ramificações”: 10 Days Off, um dos maiores festivais techno da Europa, assim como o Blue Note Jazz Fest. Esses dois não acontecem a céu aberto como o festival per se, mas em diferentes casas da cidade e geralmente envolvem a compra de um ticket – nada muito caro, diga-se.

Finalmente, em relação a música que se ouve gratuitamente, raramente se tem nomes de peso, e a seleção do festival é bem eclética, de hip-hop a música africana e rock. Não é um festival para amantes da música, como Glastonbury ou Oxegen, mas serve para aqueles que apreciam uma boa diversão e o melhor é que a festa só é popular mesmo entre os belgas, holandeses e uns poucos franceses, ou seja, a galera local.

Notas

– Cervejas: ir a Bélgica e não provar o maior número de cervejas possíveis é certamente um crime. Nem todo mundo gosta inicialmente, já que a cerveja belga geralmente tem um gosto mais forte e pode ser mais densa que uma heineken qualquer. Uma boa dica é sempre pedir uma recomendação para o barman e, no meio da noite, se preferir não arriscar continue pedindo a que mais gostou. Dentre as minhas favoritas estão Duvel, Leffe, La Chouffe e Vedett.

– A melhor maneira de chegar a Ghent é voando até Bruxelas. O aeroporto de Charleroi, comumente utilizado pela Ryanair, é uma péssima escolha.

– Durante o dia opte por beber e/ou comer as margens do canal. A atmosfera é sempre bem tranquila e os preços não muito diferentes de qualquer outro lugar da cidade. A vista é geralmente fantástica de qualquer ponto a ser escolhido.

– Para um pouco de agitação noturna, o melhor lugar na cidade é o Charlatan. Um bar alternativo, geralmente orientado para o rock que conta com bandas ao vivo de quinta a domingo, além de DJs.

– Ghent é uma das mais belas cidades medievais da Bélgica. Um passeio por entre suas praças e canais é essencial, tanto a pé quanto em um dos barcos. E não deixe de subir a torre do Belfort para uma visão panorâmica da região.

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Egito: Luxor

maio 6, 2010

Dizer que Luxor é o maior museu a céu aberto do planeta pode dar uma vaga idéia do que se encontra em um dos lugares mais fantásticos do Egito – e do mundo. É tudo tão majestoso e ainda impressionante, mesmo milhares de anos após ter sido originalmente concebido, e certamente um  lugar inesquecível para quem quer que já tenha um dia pisado neste solo.

Essa é a região do vale do Nilo, um dos trajetos mais belos do rio em todo o país, e embora o lado leste da cidade seja uma parte relativamente moderna e tenha crescido muito rápida e desorganizada, o cenário ainda é magnífico.  O Nilo flue entre a cidade moderna ao leste e a necrópolis e fazendas do lado oeste, com os desfiladeiros de Theban ao fundo. Espalhados entre essa bela paisagem estão os templos de Karnak e Luxor, ao leste, e os templos de Deir al-Bahri e Medinat Habu, a imensa estátua de Memnon e o Vale dos Reis.

A riqueza da região, na antiguidade, era lendária, mas foi só no século 18 que os viajantes europeus redescobriram a região. Desde então Luxor é palco de lendas sobre tesouros e maldições, e muitos peregrinos já passaram pela região, entretanto hoje em dia o visitante apenas corre o risco de se encontrar perdido em uma multidão sem fim de turistas e vendedores locais.

Luxor merece alguns dias. É muito difícil, após ter visto tantas coisas impressionantes ao norte, chegar a Luxor e absorver toda a informação e grandiosidade ao redor. Nos primeiros dias tentei ver o máximo que pude e, rapidamente, fiquei exausto. Tudo bem que o calor de 40 graus (no verão chega a 55), o cansaço da viagem (9 horas de trem, Cairo/Luxor, pela madrugada) e a teimosia dos vendedores locais (que não aceitam “não” e continuam a cobrar 5x mais do que deviam) ajudaram até certo grau, mas a quantidade de histórias, monumentos, detalhes, templos, colunas, estátuas, tumbas, etc que se vê ao redor pode ter um efeito confuso devastador. Depois de alguns dias em Luxor, eu precisava de algo mais simples, viajei para Hurghada – sol e cerveja, e praia.

Dicas

– O Vale dos Reis é muito interessante, mas não espere nada grandioso – ok, você talvez não vá esperar mais nada grandioso se já tiver ido aos templos. Um dos pontos altos do local, eu penso, seja o estado de conservação dos ornamentos e decoração das tumbas. Tente ir o mais cedo que puder, assim que o lugar abrir, o sol depois das 10 acaba com qualquer um. Um guia para o vale é ESSENCIAL!

– Templo de Karnak e Luxor: Não saia de Luxor sem visitar esses dois templos. A Karnak reserve a manhã, novamente vá o mais cedo que puder, o sol depois das 10… já sabe! No Templo de Luxor, no centro da cidade, vá ao fim do dia e não deixe de ver o templo iluminado ao anoitecer.

– Se tiver que escolher entre os templos do West Bank, Medinat Habu é provavelmente a melhor escolha. Se já tiver visto os templos de Karnak e Luxor, prepare-se para não ficar tão impressionado.

– O trem noturno (overnight) de Cairo para Luxor é uma boa pedida. Tickets podem ser comprados na estação de trem Ramses II no Cairo, e é sempre bom comprar com alguns dias de antecedência. Leva em torno de 8 horas, e eu recomendo a viagem na primeira classe – dorme-se bem, tem ar condicionado e a comida é razoável. Custa em torno de 50 euros! (o preço indo para Aswan é o mesmo)

– Se for a Hurghada ou ao Sinai depois de Luxor, fique muito atento aos ônibus. Por razões de segurança, poucos ônibus fazem o trajeto diariamente e são geralmente acompanhados por escoltas policiais, além de estarem sempre lotados. Novamente vale o bom-senso de comprar com alguns dias de antecedência.

– Luxor é, em muitos sentidos, pior que o Cairo e espere ser sempre abordado na rua. Ninguém vai ajudá-lo a troco de nada, e não importa o que te digam, vão estar sempre cobrando PELO MENOS 2x mais, assuma que é 3x e barganhe.

– Finalmente, ao beber cerveja tome a Stella local. A Stella européia custa bem mais caro e nem é tão diferente. O preço da garrafa, no bar, em abril de 2010 era 8 egyptian pounds (ou 1.10 euro).

Por fim, ter viajado o Egito foi uma experiência fascinante. Nunca me senti tão confuso com tanta HISTÓRIA ao meu redor. As pessoas são generosas, porém é muito difícil distinguir quem o faz genuinamente e quem deseja apenas ganho pessoal, por mais que a situação seja ruim e as pessoas o fazem pelo desespero, ninguém gosta de ser enganado.
Eu espero voltar um dia ao país, mas isso pode ser daqui uns 20 anos ou mais. Não é um lugar fácil de se viajar, é preciso muita paciência e, sobretudo, muito conhecimento da história local – e isso leva um bom tempo. E parte da minha boa experiência também se deve a três israelenses que me acompanharam por essa tour no Egito, sem eles parte da diversão não teria acontecido!

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Egito: Giza, Saqqara e Dahshur

abril 18, 2010

Visitar o Egito e não ir até as pirâmides de Giza é simplesmente non-sense.  O mais velho e impressionante lugar em todo o Egito, as pirâmides de Giza são um atestado da força e riqueza que uma vez esteve presente nessa parte do mundo. E não é só, após alguns dias imerso no caos da capital, o caminho pelos subúrbios para se chegar até Giza revela uma paisagem diferente, com campos verdes e palmeiras as margens das areias do deserto e do Rio Nilo.

E embora a maioria das pessoas associem o Egito com as pirâmides de Giza, há no total cerca de 90 pirâmides espalhadas pelo país. Algumas são apenas escombros enquanto outras são tão impressionantes quanto as de Giza, entretanto chegar até elas não é uma das tarefas mais simples. Para tal, uma boa opção que encontrei é contratar um taxista (cerca de E£200) por um dia, e a partir do Cairo fazer um tour pela antiga capital Memphis, pela impressionante pirâmide de Zoser em Saqqara, as pirâmides de Dahshur e, claro, Giza.

Memphis foi declarada a capital do Egito em 3100 AC e pela maior parte do período faraônico, essa era a capital do Egito. A cidade já foi um dia repleta de palácios, jardins e templos, mas hoje em dia pouco restou para mostrar tais tempos de glória, e a visita a cidade vale mais como um ato simbólico de pisar no solo onde, há muito tempo, o Egito era controlado. Próximo a Memphis e muito mais interessante está Saqqara – antigo cemitério da capital por ceca de 3.500 anos e o maior sítio arqueológico do país. A pirâmide Saqqara só foi descoberta em 1924 e continua sendo restaurada, tendo sido a primeira pirâmide que vi, foi um tanto impressionante – vale também uma breve visita a Necrópolis enquanto o museu não é tão bom, mas está incluso no preço.

10 kms ao sul de Saqqara está Dahshur, e embora antigamente houvessem cerca de 11 pirâmides na área, atualmente existem apenas duas, porém são impressionantes e definitivamente merecem uma visita. São duas pirâmides razoavelmente grandes, e é uma boa idéia descer por uma delas, já que o interior das pirâmides são basicamente iguais e a sensação de descer não é das melhores – muito calor e o ar lá dentro é terrível, logo com menos pessoas percorrendo o caminho a experiência é um pouco melhor quando comparado com Giza.

Finalmente as pirâmides de Giza. A primeira visão das pirâmides pode ser um pouco chocante, o platô onde se encontram fica no meio do congestionado subúrbio de Giza. Há duas entradas, e visitantes que chegam via transporte público geralmente dão de cara com a pior delas, enquanto taxis e tours vão até a segunda entrada, próximo da Esfinge, e muito mais agradável. Uma excelente idéia é percorrer a área nas costas de um camêlo. Isso praticamente dobra o preço da visita, mas vale pela vista panorâmica que não se teria de nenhuma outra forma. O lugar fecha as 4 da tarde, mas para apreciar o pôr-do-sol há vários coffee shops com terraço e visão privilegiada. Finalmente, um pouco mais tarde há o “Light and Vision show”, não é nada demais, porém é legal ver as pirâmides iluminadas de diferentes formas.


Notas

– A “cena” turística ao redor das pirâmides é intensa e pode incomodar um bocado. Praticamente em todo canto há alguém vendendo cartões postais ou pequenas lembranças, e geralmente um simples “não” não vai convencer. Basta dizer que as pirâmides têm sido atração turística desde quando foram construídas e provavelmente haviam pessoas oferecendo uma volta em um camêlo ou coisa do tipo desde então. De qualquer forma, fique atento aos seguranças, eles não fazem nada que não envolva algum tipo de pagamento extra.

– Descer as pirâmides é uma experiência legal, mas como disse antes, elas são bem parecidas internamente e não há muito para se ver – já que tudo encontrado foi levado para museus. Porém vale dizer que o ar é terrível, e a maior parte do tempo tem-se a sensação de que não é suficiente, o calor é extremo e quanto maior o número de pessoas descendo, evidentemente, pior. Para descer o túnel, uma boa dica é fazê-lo de costas.

– Encontrar um taxista decente pode dar um pouco de trabalho, felizmente encontrei uns americanos em Petra que me recomendaram um dos bons. Jacoub é uma das pessoas mais honestas que conheci no Cairo e vai “tomar conta” de tudo o tempo todo, não deixando que ninguém tire proveito de você. Ele também providencia um ótimo café da manhã que já está incluso no preço. E para finalizar ele não é um desses caras que ficam falando o tempo todo, em fato ele só fala quando perguntado. Pode ser encontrado no telefone 0127238002  ou pelo e-mail da filha: margret.barsome78@gmail.com . Eu o recomendo sem pensar duas vezes!

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Egito: Cairo (Fotos)

abril 8, 2010

Eu já estava preparando o post sobre outras partes do Egito quando pensei novamente e conclui que deixei tanta coisa de lado quando falei sobre o Cairo. Esses dias pela cidade foram repletos de sentimentos, nada ameno, sempre oscilando entre amor e ódio. Essa cidade exerce essa força, manipula os sentimentos, desperta o amor e o ódio em questão de horas. Agora, posso dizer seguramente que amei o Cairo, mas amanhã talvez eu volte a odiar. Deixo as palavras de lado e compartilho algumas fotos tiradas por meu companheiro de viagem Shahar, de posse de uma câmera um tanto melhor que a minha, por nossas voltas pela cidade e tentativa de capturar as pessoas desse planeta que é o Cairo.

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Egito: Cairo

abril 2, 2010

Definir o Cairo em poucas linhas é uma tarefa árdua, e provavelmente impossível. O número de pessoas e carros nas ruas é inimaginável, e frequentemente pessoas lhe abordam para vender coisas – mesmo quando aparentemente não é um vendedor, acredite, é um vendedor. Atravessar a rua é uma aventura, há poucos semáforos e eles não parecem fazer muito sentido, além disso o ar da cidade é extremamente pesado e poluído, somado a poeira constante em toda a parte, e o sol que nunca dá descanso. Isso tudo é um preço pequeno para visitar um dos centros do planeta, com mais de 20 milhões de habitantes e contrastes que desafiam qualquer mente.

Se você acha que vive ou já visitou uma cidade que nunca para, pense novamente no assunto caso nunca tenha vindo ao Cairo. É possível sair as 2hs da manhã e comprar um par de sapatos ou comida para o cachorro. Há uma energia constante, e a cidade funciona 24/7. Há lixo, poeira e barulho por toda a parte e mesmo assim as pessoas parecem felizes e bem humoradas.

Para explorar o Cairo são necessários alguns dias, isso sem contar a visita básica as pirâmides de Giza. Os contrastes já mencionados vão das ruas largas e relativamente organizadas do centro (downtown), passando pelos túneis do centro velho (coptic cairo), pelas ruas estreitas e sujas do bairro islâmico até o topo da cidadela medieval. Mas isso ainda é pouco para ilustrar tantas diferenças. Há a cidade dos mortos, onde famílias ocupam casas dentro do que ainda é um cemitério, ou um bairro que funciona basicamente como um centro de reciclagem da cidade. Andar pela cidade exige um bom guia e muita malandragem para escapar dos mais diversos tipos de enganação e ludibriagem empregada pelos locais.

O Cairo não é uma cidade qualquer e certamente tem o poder de despertar amor e ódio no visitante, ou ambos em diferentes circunstâncias. Mas, acima de tudo, é um lugar para se visitar, talvez mais de uma vez se a cidade te conquistar.

Notas

– O Egito é um país muito barato, mas os preços sobem quando se visita as atrações turísticas – e ainda, de cara, é enganado por um ou outro. Carteira de estudante internacional ajuda bastante a minimizar os gastos.

– O “Egyptian Museum” é uma atração a parte. É preciso muitas horas e dias para ver tudo o que está em exposição e não ajuda muito o fato de que a organização não é clara. É essencial contratar um guia ou dispor de um livro explicando cada área. Mesmo para quem não gosta de museu, é difícil não ficar impressionado com, pelo menos, a área das múmias e dos tesouros.

– Ser ludibriado no Cairo é extremamente fácil. Não acredite em ninguém, não acredite em hospitalidade e generosidade. É triste mas é fato, a maioria só está lhe tratando bem porque tem algum interesse. Não aceite nada sem saber o quanto vai pagar antes, negocie o preço do taxi, negocie TUDO. Geralmente o preço oferecido é 3x mais o que realmente vale. Mesmo em museus ou atrações, se alguém oferecer um ticket ou qualquer coisa, peça pelo comprovante antes de pagar. Mas tenha certeza, por mais esperto que seja e dicas que tenha recebido, alguém vai te enganar.

– Apesar de toda a pobreza espalhada pelos subúrbios e de muitos tipos estranhos e suspeitos a primeira vista, a cidade é segura e passa essa sensação o tempo todo. Andando por todo tipo de lugar, nunca tive a menor sensação de que alguém poderia me roubar ou qualquer coisa do gênero, mesmo durante a noite. No entanto, como eu disse antes e vale frisar, tem sempre alguém querendo enganar.

– Boas desculpas para fugir dos pilantras, incluem:
“Essa é minha terceira visita ao Cairo, eu conheço bem como as coisas funcionam.”
“Eu moro aqui e estou mostrando a cidade a meu amigo, não preciso de ajuda.”
“Não, não, não… não.”

Essencialmente, mesmo se estiver perdido, demonstre confiança. Não acredite em convites para festas, em especial certas histórias sobre festa de casamento no dia seguinte, histórias sobre tickets alternativos, ou qualquer coisa assim. Enfim, é um pouco ruim dizer isso, mas não seja legal com as pessoas. E não deixe que isso estrague sua viagem ao Cairo!

– Petra ao Cairo: Enquanto planejava a viagem, tive poucas informações sobre este trajeto. Mas basicamente é possível fazê-lo e bem fácil. A melhor maneira é cruzar a borda entre Aqaba na Jordânia com Eilat em Israel – e a melhor forma de fazê-lo é passando a última noite em Aqaba, daí um taxi até a fronteira (5JD). Da parte israelita outro taxi até a fronteira com Taba (50 shekels), e finalmente em Taba 1km a partir da fronteira tem a estação de ônibus. East Delta Bus têm 3 a 4 ônibus por dia ligando Taba ao Cairo, que custam cerca de 80 Libras egípcias. O primeiro parte as 10h30 da manhã, mas há muitos motoristas de minibus que oferecem a viagem por cerca de 700/800 libras, divididas entre os interessados. É um pouco arriscado, os caras dirigem o tempo todo a 150km/h numa estrada que muitas vezes é ruim e cheia de curvas. Foi a maneira que eu fiz, mas foi uma viagem bem tensa. O ônibus leva até 8 horas, o motorista particular levou 5h30.

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Jordânia: Petra/Wadi Musa (Aqaba)

abril 1, 2010

Se você for só para um lugar na Jordânia, esse lugar tem que ser Petra. Com suas imponentes fachadas de seus imensos templos esculpidos em sólidas rochas multicoloridas, além dos grandes túmulos que resistiram ao tempo e estão ali muito antes do domínio romano, Petra tem que estar em qualquer lista decente de lugares a serem vistos. Até meados dos anos 80, muitas das cavernas da região ainda eram a residência dos beduínos da região, e muitos ainda vivem nos arredores, ganhando a vida vendendo lembranças e artesanato a centenas de turistas que visitam o local diariamente.

Petra é essencialmente uma área turística. Colado ao local está a cidade de Wadi Musa que consiste basicamente de hotéis, mercados e restaurantes. Praticamente todos os hotéis de Wadi Musa estão localizados a uma caminhada de Petra, mas quase todos oferecem transporte gratuito para o local – taxis custam apenas 1 dinar, de qualquer forma.

Geralmente precisa-se de 2 ou 3 dias para explorar bem a região, a caminhada da entrada até o monastério (que marca o fim da cidade) leva, em média, 1h30 se for feito sem paradas, mas isso seria tolice. Petra está localizada em um vale, cercada por montanhas, e há diversas trilhas que levam até o topo oferecendo uma diferente perspectiva da cidade. A maioria dos turistas, no entanto, prefere seguir direto da entrada até o monastério e voltar, logo seguir pelas trilhas é também uma forma de evitar o grande número de turistas no local. Dentre as trilhas essenciais está, claro, a que leva até o monastério (1h30, ida-e-volta), a que explora as “Royal Tombs” (30-40 minutos, ida-e-volta) e, finalmente, a que leva até o topo do “Treasury”, passando por trás das “Royal Tombs” (1h30, ida-e-volta), sendo essa última uma das que oferece a clássica visão “Indiana Jones” de Petra e, embora tenha esse atrativo, poucas pessoas seguem esse caminho.

Há muito a ser dito sobre Petra, e numa visita a cidade é essencial ler mais sobre a história do local para se ter uma idéia de como era a vida há 4.000 anos, e dar um significado maior a sua visita. Mas, independente disso, o que se vê é de fato algo impressionante.

Concluindo a viagem a Jordânia, abandonei Petra mais cedo e segui para Aqaba, na fronteira com Israel. É uma dessas cidades feitas para turistas, onde navios-cruzeiros estacionam regularmente e hordas vão para o solo, ou para Petra. Não há muito a ser visto, mas o contraste entre deserto e resort é algo até que legal de analisar. Fora isso é bem conhecida por scuba-diving, mergulhos e esportes no mar, mas muito mais caro que as cidades que oferecem o mesmo tipo de serviço do outro lado, no Egito – e muitos dizem que não é tão impressionante quanto o que se vê no Egito.

Bom, a visita a Jordânia foi curiosa. Por momentos me senti celebridade, como em Umm Qais ao tirar fotos com os locais, ou em Ma´an onde era praticamente o único branco loiro na cidade e despertava olhares curiosos onde quer que eu fosse. Nas viagens pelo transporte público, entre cidades, também recebia olhares e tentativas de conversação dos locais que, geralmente, não falavam inglês (e tampouco eu pude falar árabe). Em diversos momentos me senti lesado, especialmente em Aqaba e Amã, já que muitos locais acham que turistas são sinônimos de dinheiro fácil. Mas, de forma geral, o povo é acolhedor e sempre oferece as boas-vindas. Uma dica essencial para a Jordânia é tenha certeza do que vai pagar antes de aceitar qualquer serviço, não se intimide de perguntar o preço de QUALQUER COISA ou serviço, antes de colocar a mão ou aceitar, seja uma garrafa de água no meio de uma trilha em Petra ou uma foto em cima de um camelo. Barganhe SEMPRE!

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Jordânia: Jerash e o Norte

março 29, 2010

A área ao norte de Amã, e fronteira com Israel e Síria, é a mais populosa do país e, ao visitar, não é difícil entender a razão. Por entre as colinas verdes repletas de oliveiras, correm os principais rios do país (afluentes do Jordão) e percorrendo as estradas não é preciso muita imaginação para associar essa área com outra qualquer do Mediterrâneo.

No segundo dia em Amã resolvi embarcar em um tour de um dia pelo norte do país, o destino eram as ruínas romanas de Umm Qais (Gadara) e Jerash (Gerasa), além do castelo de Ajlun e uma breve passagem por Irbid. Para tal contratei os serviços de um taxista, o beduíno radicado em Amã, Allen – para o qual reservei uma pequena parte desse relato ao final. Juntaram-se a mim uma professora alemã, uma escocesa radicada no Azerbaijão e uma californiana que andou viajando o mundo nos últimos 15 meses.

A primeira parada foi em Irbid, para uma volta pela cidade e o café da manhã. Irbid é uma cidade universitária, e uma das mais excitantes da região. Há vários cafés e bons restaurantes pela cidade, além de alguns bons museus, mas falta um pouco de charme e a cidade é um tanto ordinária. Entretanto Irbid é uma boa base para explorar melhor a região, já que é bem conectada a todos os outros pontos de interesse, além da proximidade com a fronteira de Israel.

Mais ao norte estão as ruínas da antiga Gadara, hoje em dia conhecida como Umm Qais. As ruínas não são tão impressionantes quanto as de Jerash – o lugar é pouco visitado por turistas mas bem frequentado pela população local. As ruínas são interessantes pois são uma mistura de uma antiga cidade romana com uma relativamente intacta vila da era otomana. Daqui também se tem uma bela visão da região do Golan na Síria e do Mar da Galiléia em Israel. Foi aqui que começou uma história de celebridade na Jordânia, com locais me pedindo para tirar fotos com eles e alguns comentários dizendo algo como “você se parece com os caras dos filmes americanos”. Boa parte do tempo eu me vi rodeado de pessoas curiosas.

Fotos depois, foi a hora de conhecer Ajlun (ou Ajloun). O castelo (Qala´atar-Rabad) é um exemplo em excelentes condições de arquitetura militar islâmica. O forte foi construído no topo do Monte Auf (1250 metros de altura), e data de 1184. Era um ponto estratégico na época pois comandava todo o vale ao redor, e foi extremamente importante na resistência contra as Cruzadas. A visão do topo é fantástica.

Finalmente era hora de ir até Jerash. 2.000 anos de história preservados de maneira surpreendente, a cidade em seus tempos de glória teve entre 15.000 e 20.000 habitantes. Ao adentrar as ruínas, tudo impressiona. Do portão central que é enorme, e originalmente tinha o dobro da altura, passando pelo círculo oval – praticamente intacto, até o anfiteatro que originalmente tinha a capacidade para 5.000 pessoas (e ainda hoje tem capacidade para 3.000), a cidade conseguiu sobreviver ao tempo. Há mais de 50 colunas de pé, algumas são imensas, e todas cheias de ornamentos. Pode-se perder horas andando pelo local, pois as ruínas se estendem por uma grande área e o fato de que está muito bem preservada torna a exploração do local interessante o tempo todo.

O tour levou o dia todo, e partiu bem cedo da capital. Ao todo gastamos 70 dinars, o que é relativamente pouco, considerando que tínhamos o motorista e um taxi a nossa disposição o tempo todo. Originalmente eu pensei em fazer isso contando com transporte público, mas dada a “flexibilidade” com que este opera, eu recomendo o motorista particular.


Sabedoria de Allen

– Casamento: “Homens do ocidente só podem ter uma esposa!? Aqui podemos ter até quatro. Mas eu acho isso estúpido. Esposa é trabalho e problema. Eu quero ½ esposa.”

– Deserto: “Eu não gosto do norte, é muito verde, e tudo dentro da lei. No deserto tem lei, mas nós passamos por cima, por baixo, pelo meio.”

– Amã: “É uma cidade boa, mas tem muito palestino, iraquiano, árabe. Tem muita gente as vezes.”

– Allen se dizia um exímio motorista. As estradas na Jordânia não são lá muito boas e geralmente tem-se uma faixa para cada direção e em alguns trechos conta-se com acostamento. Apesar disso, ele frequentemente acelerava seu taxi a até 160km/h, enquanto fumava um cigarro ou falava ao celular.

– Música: “Eu gosto de música de todo tipo. Mas as músicas do ocidente são muito parecidas. Eu acho música mexicana e escocesa, por exemplo, tudo igual. Mas tenho algo bom aqui… (Westlife).”

– Família: “Meu pai é agente secreto da Jordânia. Eu não posso dizer o que ele faz porque é meio que secreto.  Trabalha com a CIA e é bem famoso aqui, com o rei, você sabe…”

– Problemas com a lei: “O policial me parou, eu disse ´Ok, no problem´, ele me pediu dinheiro, eu disse ´Ok, no problem´. Depois ele quis apreender minha carteira de motorista, eu disse ´Ok, no problem´, mas no fim tudo deu certo. Aqui para tudo se dá um jeito.”