Archive for the ‘Israel’ Category

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Impressões finais de Israel

março 27, 2010

A viagem a Israel/Palestina foi uma idéia que ocorreu em algum dia no verão de 2006, mas até então não era mais do que uma vaga idéia e o fato de que Israel bombardeava o Líbano não alimentava muito a idéia de vir tão cedo – eu soube que Haifa foi alvo de alguns foguetes e teve até a explosão de um ônibus perto de onde me hospedei, por exemplo. Mas enfim, ao fim do ano passado, comecei a estudar mais a respeito dos conflitos no Oriente Médio, em particular Israel e a ocupação dos territórios palestinos e decidi que era um bom momento de vir. Minha tour por Israel/Palestina estava destinada a ter um caráter político e no que se refere a religião foi apenas mera curiosidade.

Durante cerca de 10 dias por Israel eu pude conhecer incríveis pessoas, algumas me hospedaram, outras me acompanharam nas baladas, e com a maioria eu pude compartilhar idéias e pontos de vista, inclusive sobre a delicada situação do país.

Em Tel-Aviv, minha primeira anfitriã Sivan, me introduziu ao estilo de vida local. Os Tel-Avivans, como são chamados, vivem em uma espécie de bolha onde o conflito parece algo distante e as pessoas não fazem muito além de curtirem a noite e a vida, quase como se estivessem na costa da Espanha ou da França. Não é que, aparentemente, não se importem, apenas levam suas vidas da forma que querem e ignoram o conflito a maior parte do tempo pelo simples fato de que este não afeta a cidade diretamente. Foi em Tel-Aviv que em uma das noites conheci um grupo de israelis, entre eles Yael, com quem me encontraria mais tarde em Jerusalém e bebemos por uma longa noite onde poucos ficaram de pé no final.

Depois foi a hora de Jerusalém e então eu pude conhecer o centro de todas as tensões entre judeus e árabes. O leste de Jerusalém tem uma população de maioria árabe bem como a cidade velha, em outras áreas da cidade vivem as maiores comunidas de judeus ortodoxos do país, ou seja, os mais intolerantes. É quase possível sentir a tensão no ar. Em Jerusalém fui hospedado por uma israeli de origem russa, chamada Keren, uma judia moderada mas que mantém certas tradições como seguir o Shabbat – o que criou situações estranhas como luzes acesas o dia todo, ou mesmo ela me pedindo para conectar determinado aparelho ou acender uma luz, ou mesmo comprar alguma bobagem no mercado. Keren estava extremamente ocupada na ocasião, com trabalho, mesmo assim foi legal ter ido ao parque tomar umas cervejas e ela me indicou os melhores lugares da cidade.

Foi em Jerusalém que conheci Yakov e Sara, dois israelis para lá de malucos – no bom sentido – e juntos bebemos quase todas as noites que estive por lá. Ambos trabalhavam no pub Stardust e, por conta de nossa boa interação, pude beber bastante sem gastar tanto – além de ter sido apresentado a vários amigos de ambos e ter tido boas conversas regadas a cervejas, entre outras coisas. Na última noite reencontrei Yael, e andamos pela cidade tarde da noite, de pub em pub, mas passando por áreas históricas, foi uma noite que marcou bem o fim de minha estadia na capital e deixará boas memórias.

Foi também em Jerusalém que conheci Abu, o meu guia pela Palestina. Abu é um palestino “de sorte”, se tal expressão pudesse ser usada. E para se ter idéia do que é algo como “ter sorte” sendo palestino, Abu perdeu o pai quando tinha 1 ano, foi preso e torturado quando tinha 14, conseguiu se formar em jornalismo aos 30, com ajuda de uma ONG e hoje trabalha como guia turístico pela Palestina. Abu não é um radical, embora tenha assumido que já fora um, e se mostra flexível em suas idéias, mas enfático ao dizer que a atual situação não pode continuar e que os poderes do oeste não dão qualquer esperança aos palestinos pela falta de ação e excesso de palavras. Foi ao lado desta pessoa que vi coisas e ouvi histórias que me deixaram perturbado, que me fizeram chorar e compreender o quão desesperadora é a situação. Foi também nesse dia que um palestino me disse “a minha única esperança são pessoas como você” e essas palavras certamente me marcarão para o resto da vida.

Transtornado com a experiência na Palestina fui para o norte, onde Noam, um israelita nascido no deserto do Negev e oficial da marinha me hospedou. Achei que a situação era um tanto irônica e até inapropriada, pois lá estava eu na casa de Noam, a qual ele divida com outros dois companheiros do exército israelita, após eu ter visitado a Palestina. Nesses dias não estava com a cabeça boa para sair e beber, então peguei leve, porém aos poucos fui conhecendo os caras da casa, dois deles nascidos em assentamentos judeus na Cisjordânia e pude perceber que todos eram moderados em suas opiniões e concordavam que a situação era insustentável e que o governo de seu país comete um terrível erro ao oprimir o povo árabe na região. Tivemos essa conversa delicada na última noite e me senti bem de ser honesto com todos e ao final me agradeceram pela opinião. A conversa com os três adicionou novas perspectivas, que somadas as que adquiri visitando a Palestina, me fará pensar sobre muitas coisas no futuro.

Bom, finalmente deixando o país, tento temporariamente colocar de lado essa parte triste e aproveitar o que vem pela frente. Foi uma jornada intensa, repleta de pessoas fantásticas e interessantes que tornaram minha experiência pelo país algo único. Israel é uma parte do ocidente no Oriente Médio e somente ao norte, é que se percebe traços do Oriente, e é em Jerusalém onde se encontra um caráter único da região. A significância religiosa somada a reação um tanto exagerada dos seguidores – em especial dos cristãos – é quase desconfortável mas por vezes engraçada ou curiosa. Enfim, foi uma experiência em minha vida que certamente me marcou muito de diversas maneiras e estou certo de que, um dia, volto aqui e possivelmente esse dia não está tão distante assim.

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Israel: Haifa, Akko e Beit She’an

março 25, 2010

Depois de dias intensos em Jerusalém e Palestina, já era hora de seguir rumo ao norte próximo a fronteira com o Líbano. Aqui meus planos começaram a mostrar as primeiras falhas, por duas razões básicas sendo 1) o fato de que eu tive uma pequena despedida em Jerusalém na última noite e bebi muito mais do que deveria, logo não consegui acordar cedo e 2) o norte de Israel não é tão bem servido por meios públicos de transporte e tornou-se inviável ir a certos lugares considerando o pouco tempo que eu tinha em mãos.

Mas finalmente, coloquei meus pés em Haifa, cidade de 270 mil habitantes, com população mista de árabes e judeus, um bom exemplo de coexistência pacífica na região. Uma surpresa para muitos é que a maioria dos árabes da região são cristãos, enquanto os judeus tem origem na Rússia. A cidade é o principal porto do país e foi construída nas encostas do Monte Carmelo, o que em termos práticos significa que o viajante vai ter que usar bastante transporte público para se movimentar pelas ruas sinuosas que em zigue-zague sobem pelo Monte Carmelo. Uma das áreas mais bonitas da cidade é conhecida como German Colony e abriga alguns dos melhores bares e restaurantes, e de lá a visão dos Jardins e santuário Baha´i é impressionante – alias, sendo este, o cartão postal mais conhecido da cidade.

A partir de Haifa, Akko fica a apenas 30 minutos de trem ao norte. Akko é uma das cidades medievais melhor conservadas do mundo, e não deveria ser o primeiro destino em Israel pois vai fazer com que as ruínas encontradas em outros cantos do país pareçam um tanto chatas. Essa é a Acre dos Cruzados e a capital do Reino da Palestina, onde recebeu carregamentos de Amalfi, Genova, Pisa e Veneza, e entre ilustres convidados estiveram Marco Polo e Napoleão. É impossível não amar a pequena cidade ao andar por suas alamedas estreitas e centenárias estruturas que continuam sendo utilizadas tanto como moradia de muitos quanto para o comércio. Uma visita a cidade não está completa sem saborear um sanduíche no “Hummus Said” que, de acordo com a população do norte de Israel, é o melhor do país.

No caminho para a fronteira foi a hora de parar em Beit She’an, pequena vila no extremo leste de Israel. A atração principal é um dos maiores sítios arqueológicos do país, que inclui um anfiteatro romano muito bem preservado. Acredita-se que a cidade era muito imjportante durante o domínio do Império Romano e as ruínas da antiga cidade, apesar de não refletir nem 1/3 do que historiadores acreditam que fosse, são impressionantes.

Dicas

– Em Haifa, fique muito atento a partida dos ônibus entre cidades. Há três centrais de ônibus e não há um padrão muito claro entre elas. Eu parei na estação errada e tive que ficar mais 40 minutos dentro de um ônibus local para chegar no lugar certo para, então, ir para onde eu queria.

– A estação de trem/ônibus de Akko fica há 2 kms da cidadela, e embora exista um ônibus local que faça a conexão, eu recomendo muito uma caminhada pela orla até a cidade velha. A vida é devagar em Akko.

– Se decidir cruzar fronteira com a Jordânia pelo Rio Jordão, a leste de Beit She’an, prepare-se para a dor de cabeça. Primeiro que não há transporte público até lá, então é preciso um taxi. Ao chegar na fronteira leva-se tempo para os oficiais israelitas checarem os documentos, depois é preciso pegar um ônibus por apenas 500 metros que, basicamente, cruza uma ponte. Daí é hora de encarar a imigração da Jordânia que, alias, é a parte mais rápida. Parece simples não? O processo todo levou 5 horas!

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Israel: Mar Morto, Massada e Ein Gedi

março 23, 2010

Boiar no mar morto com os pés para o alto lendo um jornal é o típico clichê de uma viagem ao Oriente Médio/Israel. Mas diferente de certas bobagens que se tornam clichês essa é uma experiência extremamente válida e uma das coisas mais legais de se fazer quando viajando por Israel ou Jordânia e algo que não pode ser feito em nenhum outro lugar do mundo.

O Mar Morto localiza-se numa inóspita região e está parcialmente dentro da área da Cisjordânia. É o ponto mais baixo do planeta, a 400 metros abaixo do nível do mar e se extendendo por aproximadamente 65km por 18km. Uma das maneiras mais baratas, porém não muito relaxante, de ir até lá é pagando uma das dezenas de operadoras de turismo locais que oferecem o pacote. Os passeios costumam sair de Jerusalém por volta das 3.30 da manhã, e levam o turista inicialmente até Masada a tempo de ver o nascer do sol, depois até Ein Gedi para nadar no Mar Morto, finalmente uma breve parada no oasis de Ein Gedi e por fim outra parada em Qumran, o lugar onde foram encontrados os manuscritos do Mar Morto. Por volta das 3 da tarde já se está de volta a Jerusalém.

Uma das mais impressionantes atrações envolvendo esse passeio é certamente Massada. É um montanha solitária no deserto, e no topo uma espécie de platô onde se encontram as ruínas de um antigo forte, símbolo da resistência dos judeus a invasão romana. Ver o nascer do sol por trás das montanhas é um momento impressionante, sem contar a escalada até o topo – que não é das mais fáceis. É definitivamente uma experiência a ser vivida.

Por fim a reserva natural de Ein Gedi é perfeita para aventureiros amadores e vale para quem nunca teve a chance de visitar um oasis. Uma série de cachoeiras, cercadas de muito verde encravada no meio do deserto. A maioria das trilhas são simples e fáceis, mas existem duas ou três que exigem um pouco mais e não são recomendadas no meio do dia. As trilhas que levam até o topo oferecem uma grande visão do vale e do Mar Morto.

Dicas

– Quando se está a mais de 400 metros abaixo do nível do mar e no meio de um deserto não se pode esperar uma experiência ordinária qualquer. Embora a temperatura seja alta e o sol brilha quase 300 dias no ano, a pressão atmosférica filtra bem os raios ultravioletas e é quase impossível receber alguma queimadura severa por exposição prolongada ao sol. Entretanto o protetor solar continua recomendado.

– A desidratação é o maior perigo quando se visita o Mar Morto. É quase essencial ter um chapéu e óculos escuros e beber muita água constantemente. Recomenda-se um litro de água a cada hora.

– Boiar no Mar Morto é uma experiência única, mas devido ao alto nível de sal nas águas, recomenda-se o banho por apenas 25 minutos. Embora essa recomendação é quase desnecessária, pois após uns 5 minutos no mar já é possível sentir um certo incômodo em algumas partes do corpo. Após o banho siga direto para as duchas.

– Finalmente recomenda-se tomar cuidado com seus pertences em Ein Gedi, relatos de furtos na área são quase comum. Não se espante também ao ver banhistas nus, particularmente homens.

– Qumran é razoavelmente interessante, mas é mais uma parada para vender produtos milagrosos feitos a base de componentes únicos da região. Se o tempo estiver curto, opte por ir até Jericó ao invés de Qumran.


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Israel: Jerusalém

março 21, 2010

Sempre ouvi coisas distintas a respeito de Jerusalém e, anteontem, ao descer do ônibus concordei com todas elas – ou com todas as que pude lembrar. Há algo no ar da cidade, uma atmosfera distinta, uma sensação peculiar amplificada pelos gritantes contrastes que são jogados na sua cara a cada esquina, Jerusalém brinca com todos os sentidos, o tempo todo, e de maneiras que não sou capaz de reproduzir com palavras. Nem sempre de forma agradável, mas sempre de maneira inusitada. Jerusalém é uma entidade e, de fato, minha primeira cidade no Oriente Médio.

Por todos os cantos, seja dentro das muralhas da cidade velha, ou nos subúrbios arábes ao leste, a cidade desafia o tempo e as constantes guerras que sofreu e mantém sua arquitetura em boa forma e em grande estado de conservação. Andar pela cidade velha é certamente uma das experiências mais intensas que uma pessoa pode ter em vida – a cidade é dividida em blocos (quarters), sendo eles cristão, muçulmano, armênio e judeu. Não há uma divisão clara entre eles mas não precisa ter um olhar atento para perceber quando se cruzou a linha de um para outro, são 4 lugares completamente diferentes dentro de um espaço relativamente pequeno. Não são diferentes só no aspecto arquitetônico e de organização, mas também na forma como as pessoas se comportam e se vestem.

A fé, evidentemente, tem seu ápice no coração da cidade. As demonstrações de fiéis aqui e ali, nas mais distintas formas, são o testamento vivo da devoção e, porque não dizer, fanatismo de muitos. É difícil descrever o número de situações que passei em apenas um dia andando pelas estreitas alamedas da cidade e visitando lugares como o Muro das Lamentações, Via Dolorosa, entre outros. Não consegui esboçar reação além do espanto e, ocasionalmente, o desdém seguido de um suspiro respeitoso.

Mesmo sendo ateu me senti tocado e atingido pela cidade e pela devoção de tanta gente. Avistar suas muralhas pela primeira vez é algo indescritível, assim como andar pela cidadela ou adentrar as diversas igrejas, sinagogas e mesquitas. Jerusalém é algo vivo e intenso.

Curiosidades

– A síndrome de Jerusalém: reconhecida como uma condição médica que requer tratamento, a síndrome ocorre quando visitantes se sentem arrebatados pela significância histórica da Cidade Sagrada e chegam a conclusão de que eles são figuras bíblicas e que o fim está próximo. A maioria já teve problemas de comportamento anteriormente, segundo dizem, mas muitos eram considerados “normais” até então. Ocasionalmente é possível ver algum deles perambulando pela Ben Yehuda St.

– Shabbat: o sábado é o dia do descanso, enquanto em Tel-Aviv isso significa que é hora de beber e dançar, em Jerusalém TUDO para. Evidentemente que sempre há pubs abertos aqui e ali, mas de forma geral a cidade dorme. Em lugares onde normalmente se leva tempo para cruzar por conta do trânsito caótico de carros e pessoas, anda-se sozinho com um silêncio perturbador e ausência de pessoas ou carros.

– Monte das Oliveiras: reza a lenda que é o lugar onde o messias voltará e deus irá redimir os mortos. Em termos práticos é um bom lugar para se ter a melhor visão de Jerusalém, e durante a manhã é quando se tem a melhor condição de luz. O fato de que o lugar é mencionado como o palco de significante evento faz qualquer um entender porque os cemitérios na encosta são tão populares. Aparentemente um pedaço de terra aqui, muito popular entre os judeus (mais de 150.000 já foram enterrados ali), pode sair bem caro.

Dicas

– Durante o Shabbat a melhor opção para compras está nas áreas árabes da cidade. O centro e demais áreas ficam completamente vazios e lojas fechadas. Vale uma visita ao Muro das Lamentações pela manhã, mas lembre-se que uma vez que adentrar o patio é proibido tirar fotos. No fim de tarde há uma refeição especial próximo ao Muro, a comida é de graça, mas é preciso ouvir algumas palavrinhas antes de cair de boca. Vale a pena, no entanto – a comida é boa.

– Vida noturna: Jerusalém não chega a cativar muito mas tem algumas opções. As melhores opções estão em Rivlin e Yoel Solomon St no centro da cidade. A cidade velha é mais seca que o deserto. Uma boa opção é o pub Stardust em Rivlin St, para fugir da massa de pós-adolescentes americanos que infesta a maioria dos pubs locais e ouvir um pouco de indie rock. A maioria dos pubs tem promoções entre 6 e 9.30/10 da noite, onde os drinks são todos vendidos pela metade do preço.

– Antes de beber talvez seja uma boa idéia comer um pouco, as melhores opções para o bolso estão em Jaffa Road (Yafo Rd). Dentre elas vale destacar o vegetariano Village Green e o descolado Coffee Bean. Em fato não há melhor indicação, eles estão um de frente ao outro em Jaffa Road e ao lado de Rivlin St (e do supracitado pub Stardust).

– Finalmente, a partir de Jerusalém é possível fazer um bom número de passeios, seja para o Mar Morto ou para cidades da Cisjordânia. Uma boa companhia é a Alternative Tours, para fugir um pouco do mar de turistas. A maioria dos passeios tem conotação política e visa conscientizar o visitante do problema que os palestinos enfrentam, entretanto há também passeios mais comuns.

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Israel: Tel-Aviv e Jaffa

março 20, 2010

A primeira parada em Israel não poderia ter sido melhor escolhida. Tel-Aviv é uma cidade nova e moderna, e sob forte influência do ocidente. Apesar do tráfego pesado e da maneira alucinada que a maioria dos motoqueiros dirigem por aqui (muitas vezes pela calçada), a atmosfera da cidade é positiva e é impossível resistir a tentação de parar a cada 3 ou 4 quarteirões para saborear um café, croissant ou um falafel se a fome for grande.

Ao chegar na cidade fui recepcionado pela minha anfitriã, Sivan, uma israelita de origem do norte da África (Tunísia, Líbia, Marrocos) e caimos pela noite em meio a copos de Goldstar, a cerveja local, e alguns aperitivos típicos – e outros nem tanto. Os bares servem para todo tipo de cliente, mas em geral os preços são convidativos e o ambiente quase sempre aconchegante. Em especial no coração da cidade, em King George St e redondezas é difícil não encontrar algo que se encaixe no orçamento e nas preferências (musicais e culinárias). Um dos lugares mais legais fica na Almonit Alley, travessa da King George St e chama-se Salon Mazal. É uma espécie de café/livraria estritamente vegan e que poderia ser descrito como um centro de cultura alternativa – além de possuir internet de graça.

Em se tratando de compras, Tel-Aviv também surpreende. Na área conhecida como Yemenite Quarter tem um dos maiores mercados (Carmel Market) que vende desde temperos e vegetais a roupas e acessórios, tudo a preços muito bons.  Ao lado tem também a Sheinken Street com roupas de grife e restaurantes mais gabaritados. Ainda que nada disso interesse, vale a pena descer a Sheinken St e depois andar pela Rothschild Blvd para conferir um pouco da arquitetura, predominatemente Bauhaus, de Tel-Aviv e subir novamente via Nahalat Binyamin St para dar uma passada pelo Carmel Market.

Evidentemente que estando em Tel-Aviv não se pode deixar de ir até a praia, onde estão provavelmente os mais elegantes prédios da cidade. Uma boa maneira de se chegar lá a partir da King George St/Yemenite Quarter é pela Allenby St, a artéria da cidade que termina de frente para o mar. Daqui até a velha cidade de Jaffa são apenas 2kms.

Finalmente após um banho no mediterrâneo e algumas cervejas na praia, é hora de seguir rumo a Jaffa. O histórico porto de Jaffa, com seus 4.000 anos de história, costumava ser a primeira parada dos peregrinos que vinham a terra santa. A pequena vila tem boas galerias de arte e cafés, uma atmosfera aconchegante e tranquila além de comida boa e barata. Jaffa é dividida em duas parte, a cidade velha (Old Jaffa) que é o que provavelmente mais interessa ao turista e a cidade nova (New Jaffa) conhecida pelos seus mercados a céu aberto.  Não foi preciso mais do que algumas horas para dar uma boa volta por Jaffa e saborear alguns pratos locais, e a caminhada até lá foi tão prazerosa que resolvi voltar a Tel-Aviv andando também. Além disso só a visão panorâmica que se tem a partir do anfiteatro , tanto de Tel-Aviv quanto do mar, já valeria ter ido até Jaffa.


Destaques

– Cerveja Goldstar: marca local, mais barata que Heineken e afins. É um tanto mais amarga, o que eu considero positivo, mas geralmente é servida tão gelada que não se sente tanto o gosto.

– Pizza árabe em Jaffa: conhecida como pizza árabe, é o que eu já vi antes como esfiha. Entretanto os ingredientes variam e geralmente incluem ovos. Eu tive o prazer de comer uma com ovos, queijo e cogumelos, e foi fantástica. O lugar em que comi “Said Abu Elafia & Sons” é uma instituição local, e passa de geração a geração na mesma família (Abu Elafia) desde 1880. Conta ainda com mais de 20 tipos de pães.

– Noite em Tel-Aviv: a cidade não é tão atrativa durante o dia, mas quando cai a noite, tudo muda. Os bares e casas noturnas fervem. Porém tudo começa bem tarde, e é bobagem ir para a balada antes da meia-noite. Vale no entanto dar uma aquecida enquanto comendo alguma coisa em algum restaurante ou bar/restaurante.


Situações

– De estações de trem a shopping centers, e claro, repartições públicas, todos os lugares tem um segurança que revista bolsas e passa o detector de metais nas pessoas. Nas estações de trem existem máquinas de raio-x para verificar o conteúdo de bolsas – como as que existem em aeroportos.

– “Você tem alguma arma?” é uma pergunta comum, tanto em portas de lojas como bares. Entretanto, entende-se, avistar pessoas portando algum tipo de arma (das mais leves a fuzis) é um tanto comum e desconfortável, diga-se.

– A trilha sonora que me acompanhou em Tel-Aviv foi uma bela surpresa. Ao comprar protetor solar na farmácia estava ouvindo Interpol, tomando café ao som de Beck, almoçando com Radiohead e sem contar as baladas ao som de Smiths, New Order e Strokes. E eu não estava com os headphones em nenhum momento.