Archive for abril \18\UTC 2010

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Egito: Giza, Saqqara e Dahshur

abril 18, 2010

Visitar o Egito e não ir até as pirâmides de Giza é simplesmente non-sense.  O mais velho e impressionante lugar em todo o Egito, as pirâmides de Giza são um atestado da força e riqueza que uma vez esteve presente nessa parte do mundo. E não é só, após alguns dias imerso no caos da capital, o caminho pelos subúrbios para se chegar até Giza revela uma paisagem diferente, com campos verdes e palmeiras as margens das areias do deserto e do Rio Nilo.

E embora a maioria das pessoas associem o Egito com as pirâmides de Giza, há no total cerca de 90 pirâmides espalhadas pelo país. Algumas são apenas escombros enquanto outras são tão impressionantes quanto as de Giza, entretanto chegar até elas não é uma das tarefas mais simples. Para tal, uma boa opção que encontrei é contratar um taxista (cerca de E£200) por um dia, e a partir do Cairo fazer um tour pela antiga capital Memphis, pela impressionante pirâmide de Zoser em Saqqara, as pirâmides de Dahshur e, claro, Giza.

Memphis foi declarada a capital do Egito em 3100 AC e pela maior parte do período faraônico, essa era a capital do Egito. A cidade já foi um dia repleta de palácios, jardins e templos, mas hoje em dia pouco restou para mostrar tais tempos de glória, e a visita a cidade vale mais como um ato simbólico de pisar no solo onde, há muito tempo, o Egito era controlado. Próximo a Memphis e muito mais interessante está Saqqara – antigo cemitério da capital por ceca de 3.500 anos e o maior sítio arqueológico do país. A pirâmide Saqqara só foi descoberta em 1924 e continua sendo restaurada, tendo sido a primeira pirâmide que vi, foi um tanto impressionante – vale também uma breve visita a Necrópolis enquanto o museu não é tão bom, mas está incluso no preço.

10 kms ao sul de Saqqara está Dahshur, e embora antigamente houvessem cerca de 11 pirâmides na área, atualmente existem apenas duas, porém são impressionantes e definitivamente merecem uma visita. São duas pirâmides razoavelmente grandes, e é uma boa idéia descer por uma delas, já que o interior das pirâmides são basicamente iguais e a sensação de descer não é das melhores – muito calor e o ar lá dentro é terrível, logo com menos pessoas percorrendo o caminho a experiência é um pouco melhor quando comparado com Giza.

Finalmente as pirâmides de Giza. A primeira visão das pirâmides pode ser um pouco chocante, o platô onde se encontram fica no meio do congestionado subúrbio de Giza. Há duas entradas, e visitantes que chegam via transporte público geralmente dão de cara com a pior delas, enquanto taxis e tours vão até a segunda entrada, próximo da Esfinge, e muito mais agradável. Uma excelente idéia é percorrer a área nas costas de um camêlo. Isso praticamente dobra o preço da visita, mas vale pela vista panorâmica que não se teria de nenhuma outra forma. O lugar fecha as 4 da tarde, mas para apreciar o pôr-do-sol há vários coffee shops com terraço e visão privilegiada. Finalmente, um pouco mais tarde há o “Light and Vision show”, não é nada demais, porém é legal ver as pirâmides iluminadas de diferentes formas.


Notas

– A “cena” turística ao redor das pirâmides é intensa e pode incomodar um bocado. Praticamente em todo canto há alguém vendendo cartões postais ou pequenas lembranças, e geralmente um simples “não” não vai convencer. Basta dizer que as pirâmides têm sido atração turística desde quando foram construídas e provavelmente haviam pessoas oferecendo uma volta em um camêlo ou coisa do tipo desde então. De qualquer forma, fique atento aos seguranças, eles não fazem nada que não envolva algum tipo de pagamento extra.

– Descer as pirâmides é uma experiência legal, mas como disse antes, elas são bem parecidas internamente e não há muito para se ver – já que tudo encontrado foi levado para museus. Porém vale dizer que o ar é terrível, e a maior parte do tempo tem-se a sensação de que não é suficiente, o calor é extremo e quanto maior o número de pessoas descendo, evidentemente, pior. Para descer o túnel, uma boa dica é fazê-lo de costas.

– Encontrar um taxista decente pode dar um pouco de trabalho, felizmente encontrei uns americanos em Petra que me recomendaram um dos bons. Jacoub é uma das pessoas mais honestas que conheci no Cairo e vai “tomar conta” de tudo o tempo todo, não deixando que ninguém tire proveito de você. Ele também providencia um ótimo café da manhã que já está incluso no preço. E para finalizar ele não é um desses caras que ficam falando o tempo todo, em fato ele só fala quando perguntado. Pode ser encontrado no telefone 0127238002  ou pelo e-mail da filha: margret.barsome78@gmail.com . Eu o recomendo sem pensar duas vezes!

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Egito: Cairo (Fotos)

abril 8, 2010

Eu já estava preparando o post sobre outras partes do Egito quando pensei novamente e conclui que deixei tanta coisa de lado quando falei sobre o Cairo. Esses dias pela cidade foram repletos de sentimentos, nada ameno, sempre oscilando entre amor e ódio. Essa cidade exerce essa força, manipula os sentimentos, desperta o amor e o ódio em questão de horas. Agora, posso dizer seguramente que amei o Cairo, mas amanhã talvez eu volte a odiar. Deixo as palavras de lado e compartilho algumas fotos tiradas por meu companheiro de viagem Shahar, de posse de uma câmera um tanto melhor que a minha, por nossas voltas pela cidade e tentativa de capturar as pessoas desse planeta que é o Cairo.

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Egito: Cairo

abril 2, 2010

Definir o Cairo em poucas linhas é uma tarefa árdua, e provavelmente impossível. O número de pessoas e carros nas ruas é inimaginável, e frequentemente pessoas lhe abordam para vender coisas – mesmo quando aparentemente não é um vendedor, acredite, é um vendedor. Atravessar a rua é uma aventura, há poucos semáforos e eles não parecem fazer muito sentido, além disso o ar da cidade é extremamente pesado e poluído, somado a poeira constante em toda a parte, e o sol que nunca dá descanso. Isso tudo é um preço pequeno para visitar um dos centros do planeta, com mais de 20 milhões de habitantes e contrastes que desafiam qualquer mente.

Se você acha que vive ou já visitou uma cidade que nunca para, pense novamente no assunto caso nunca tenha vindo ao Cairo. É possível sair as 2hs da manhã e comprar um par de sapatos ou comida para o cachorro. Há uma energia constante, e a cidade funciona 24/7. Há lixo, poeira e barulho por toda a parte e mesmo assim as pessoas parecem felizes e bem humoradas.

Para explorar o Cairo são necessários alguns dias, isso sem contar a visita básica as pirâmides de Giza. Os contrastes já mencionados vão das ruas largas e relativamente organizadas do centro (downtown), passando pelos túneis do centro velho (coptic cairo), pelas ruas estreitas e sujas do bairro islâmico até o topo da cidadela medieval. Mas isso ainda é pouco para ilustrar tantas diferenças. Há a cidade dos mortos, onde famílias ocupam casas dentro do que ainda é um cemitério, ou um bairro que funciona basicamente como um centro de reciclagem da cidade. Andar pela cidade exige um bom guia e muita malandragem para escapar dos mais diversos tipos de enganação e ludibriagem empregada pelos locais.

O Cairo não é uma cidade qualquer e certamente tem o poder de despertar amor e ódio no visitante, ou ambos em diferentes circunstâncias. Mas, acima de tudo, é um lugar para se visitar, talvez mais de uma vez se a cidade te conquistar.

Notas

– O Egito é um país muito barato, mas os preços sobem quando se visita as atrações turísticas – e ainda, de cara, é enganado por um ou outro. Carteira de estudante internacional ajuda bastante a minimizar os gastos.

– O “Egyptian Museum” é uma atração a parte. É preciso muitas horas e dias para ver tudo o que está em exposição e não ajuda muito o fato de que a organização não é clara. É essencial contratar um guia ou dispor de um livro explicando cada área. Mesmo para quem não gosta de museu, é difícil não ficar impressionado com, pelo menos, a área das múmias e dos tesouros.

– Ser ludibriado no Cairo é extremamente fácil. Não acredite em ninguém, não acredite em hospitalidade e generosidade. É triste mas é fato, a maioria só está lhe tratando bem porque tem algum interesse. Não aceite nada sem saber o quanto vai pagar antes, negocie o preço do taxi, negocie TUDO. Geralmente o preço oferecido é 3x mais o que realmente vale. Mesmo em museus ou atrações, se alguém oferecer um ticket ou qualquer coisa, peça pelo comprovante antes de pagar. Mas tenha certeza, por mais esperto que seja e dicas que tenha recebido, alguém vai te enganar.

– Apesar de toda a pobreza espalhada pelos subúrbios e de muitos tipos estranhos e suspeitos a primeira vista, a cidade é segura e passa essa sensação o tempo todo. Andando por todo tipo de lugar, nunca tive a menor sensação de que alguém poderia me roubar ou qualquer coisa do gênero, mesmo durante a noite. No entanto, como eu disse antes e vale frisar, tem sempre alguém querendo enganar.

– Boas desculpas para fugir dos pilantras, incluem:
“Essa é minha terceira visita ao Cairo, eu conheço bem como as coisas funcionam.”
“Eu moro aqui e estou mostrando a cidade a meu amigo, não preciso de ajuda.”
“Não, não, não… não.”

Essencialmente, mesmo se estiver perdido, demonstre confiança. Não acredite em convites para festas, em especial certas histórias sobre festa de casamento no dia seguinte, histórias sobre tickets alternativos, ou qualquer coisa assim. Enfim, é um pouco ruim dizer isso, mas não seja legal com as pessoas. E não deixe que isso estrague sua viagem ao Cairo!

– Petra ao Cairo: Enquanto planejava a viagem, tive poucas informações sobre este trajeto. Mas basicamente é possível fazê-lo e bem fácil. A melhor maneira é cruzar a borda entre Aqaba na Jordânia com Eilat em Israel – e a melhor forma de fazê-lo é passando a última noite em Aqaba, daí um taxi até a fronteira (5JD). Da parte israelita outro taxi até a fronteira com Taba (50 shekels), e finalmente em Taba 1km a partir da fronteira tem a estação de ônibus. East Delta Bus têm 3 a 4 ônibus por dia ligando Taba ao Cairo, que custam cerca de 80 Libras egípcias. O primeiro parte as 10h30 da manhã, mas há muitos motoristas de minibus que oferecem a viagem por cerca de 700/800 libras, divididas entre os interessados. É um pouco arriscado, os caras dirigem o tempo todo a 150km/h numa estrada que muitas vezes é ruim e cheia de curvas. Foi a maneira que eu fiz, mas foi uma viagem bem tensa. O ônibus leva até 8 horas, o motorista particular levou 5h30.

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Jordânia: Petra/Wadi Musa (Aqaba)

abril 1, 2010

Se você for só para um lugar na Jordânia, esse lugar tem que ser Petra. Com suas imponentes fachadas de seus imensos templos esculpidos em sólidas rochas multicoloridas, além dos grandes túmulos que resistiram ao tempo e estão ali muito antes do domínio romano, Petra tem que estar em qualquer lista decente de lugares a serem vistos. Até meados dos anos 80, muitas das cavernas da região ainda eram a residência dos beduínos da região, e muitos ainda vivem nos arredores, ganhando a vida vendendo lembranças e artesanato a centenas de turistas que visitam o local diariamente.

Petra é essencialmente uma área turística. Colado ao local está a cidade de Wadi Musa que consiste basicamente de hotéis, mercados e restaurantes. Praticamente todos os hotéis de Wadi Musa estão localizados a uma caminhada de Petra, mas quase todos oferecem transporte gratuito para o local – taxis custam apenas 1 dinar, de qualquer forma.

Geralmente precisa-se de 2 ou 3 dias para explorar bem a região, a caminhada da entrada até o monastério (que marca o fim da cidade) leva, em média, 1h30 se for feito sem paradas, mas isso seria tolice. Petra está localizada em um vale, cercada por montanhas, e há diversas trilhas que levam até o topo oferecendo uma diferente perspectiva da cidade. A maioria dos turistas, no entanto, prefere seguir direto da entrada até o monastério e voltar, logo seguir pelas trilhas é também uma forma de evitar o grande número de turistas no local. Dentre as trilhas essenciais está, claro, a que leva até o monastério (1h30, ida-e-volta), a que explora as “Royal Tombs” (30-40 minutos, ida-e-volta) e, finalmente, a que leva até o topo do “Treasury”, passando por trás das “Royal Tombs” (1h30, ida-e-volta), sendo essa última uma das que oferece a clássica visão “Indiana Jones” de Petra e, embora tenha esse atrativo, poucas pessoas seguem esse caminho.

Há muito a ser dito sobre Petra, e numa visita a cidade é essencial ler mais sobre a história do local para se ter uma idéia de como era a vida há 4.000 anos, e dar um significado maior a sua visita. Mas, independente disso, o que se vê é de fato algo impressionante.

Concluindo a viagem a Jordânia, abandonei Petra mais cedo e segui para Aqaba, na fronteira com Israel. É uma dessas cidades feitas para turistas, onde navios-cruzeiros estacionam regularmente e hordas vão para o solo, ou para Petra. Não há muito a ser visto, mas o contraste entre deserto e resort é algo até que legal de analisar. Fora isso é bem conhecida por scuba-diving, mergulhos e esportes no mar, mas muito mais caro que as cidades que oferecem o mesmo tipo de serviço do outro lado, no Egito – e muitos dizem que não é tão impressionante quanto o que se vê no Egito.

Bom, a visita a Jordânia foi curiosa. Por momentos me senti celebridade, como em Umm Qais ao tirar fotos com os locais, ou em Ma´an onde era praticamente o único branco loiro na cidade e despertava olhares curiosos onde quer que eu fosse. Nas viagens pelo transporte público, entre cidades, também recebia olhares e tentativas de conversação dos locais que, geralmente, não falavam inglês (e tampouco eu pude falar árabe). Em diversos momentos me senti lesado, especialmente em Aqaba e Amã, já que muitos locais acham que turistas são sinônimos de dinheiro fácil. Mas, de forma geral, o povo é acolhedor e sempre oferece as boas-vindas. Uma dica essencial para a Jordânia é tenha certeza do que vai pagar antes de aceitar qualquer serviço, não se intimide de perguntar o preço de QUALQUER COISA ou serviço, antes de colocar a mão ou aceitar, seja uma garrafa de água no meio de uma trilha em Petra ou uma foto em cima de um camelo. Barganhe SEMPRE!