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Jordânia: Jerash e o Norte

março 29, 2010

A área ao norte de Amã, e fronteira com Israel e Síria, é a mais populosa do país e, ao visitar, não é difícil entender a razão. Por entre as colinas verdes repletas de oliveiras, correm os principais rios do país (afluentes do Jordão) e percorrendo as estradas não é preciso muita imaginação para associar essa área com outra qualquer do Mediterrâneo.

No segundo dia em Amã resolvi embarcar em um tour de um dia pelo norte do país, o destino eram as ruínas romanas de Umm Qais (Gadara) e Jerash (Gerasa), além do castelo de Ajlun e uma breve passagem por Irbid. Para tal contratei os serviços de um taxista, o beduíno radicado em Amã, Allen – para o qual reservei uma pequena parte desse relato ao final. Juntaram-se a mim uma professora alemã, uma escocesa radicada no Azerbaijão e uma californiana que andou viajando o mundo nos últimos 15 meses.

A primeira parada foi em Irbid, para uma volta pela cidade e o café da manhã. Irbid é uma cidade universitária, e uma das mais excitantes da região. Há vários cafés e bons restaurantes pela cidade, além de alguns bons museus, mas falta um pouco de charme e a cidade é um tanto ordinária. Entretanto Irbid é uma boa base para explorar melhor a região, já que é bem conectada a todos os outros pontos de interesse, além da proximidade com a fronteira de Israel.

Mais ao norte estão as ruínas da antiga Gadara, hoje em dia conhecida como Umm Qais. As ruínas não são tão impressionantes quanto as de Jerash – o lugar é pouco visitado por turistas mas bem frequentado pela população local. As ruínas são interessantes pois são uma mistura de uma antiga cidade romana com uma relativamente intacta vila da era otomana. Daqui também se tem uma bela visão da região do Golan na Síria e do Mar da Galiléia em Israel. Foi aqui que começou uma história de celebridade na Jordânia, com locais me pedindo para tirar fotos com eles e alguns comentários dizendo algo como “você se parece com os caras dos filmes americanos”. Boa parte do tempo eu me vi rodeado de pessoas curiosas.

Fotos depois, foi a hora de conhecer Ajlun (ou Ajloun). O castelo (Qala´atar-Rabad) é um exemplo em excelentes condições de arquitetura militar islâmica. O forte foi construído no topo do Monte Auf (1250 metros de altura), e data de 1184. Era um ponto estratégico na época pois comandava todo o vale ao redor, e foi extremamente importante na resistência contra as Cruzadas. A visão do topo é fantástica.

Finalmente era hora de ir até Jerash. 2.000 anos de história preservados de maneira surpreendente, a cidade em seus tempos de glória teve entre 15.000 e 20.000 habitantes. Ao adentrar as ruínas, tudo impressiona. Do portão central que é enorme, e originalmente tinha o dobro da altura, passando pelo círculo oval – praticamente intacto, até o anfiteatro que originalmente tinha a capacidade para 5.000 pessoas (e ainda hoje tem capacidade para 3.000), a cidade conseguiu sobreviver ao tempo. Há mais de 50 colunas de pé, algumas são imensas, e todas cheias de ornamentos. Pode-se perder horas andando pelo local, pois as ruínas se estendem por uma grande área e o fato de que está muito bem preservada torna a exploração do local interessante o tempo todo.

O tour levou o dia todo, e partiu bem cedo da capital. Ao todo gastamos 70 dinars, o que é relativamente pouco, considerando que tínhamos o motorista e um taxi a nossa disposição o tempo todo. Originalmente eu pensei em fazer isso contando com transporte público, mas dada a “flexibilidade” com que este opera, eu recomendo o motorista particular.


Sabedoria de Allen

– Casamento: “Homens do ocidente só podem ter uma esposa!? Aqui podemos ter até quatro. Mas eu acho isso estúpido. Esposa é trabalho e problema. Eu quero ½ esposa.”

– Deserto: “Eu não gosto do norte, é muito verde, e tudo dentro da lei. No deserto tem lei, mas nós passamos por cima, por baixo, pelo meio.”

– Amã: “É uma cidade boa, mas tem muito palestino, iraquiano, árabe. Tem muita gente as vezes.”

– Allen se dizia um exímio motorista. As estradas na Jordânia não são lá muito boas e geralmente tem-se uma faixa para cada direção e em alguns trechos conta-se com acostamento. Apesar disso, ele frequentemente acelerava seu taxi a até 160km/h, enquanto fumava um cigarro ou falava ao celular.

– Música: “Eu gosto de música de todo tipo. Mas as músicas do ocidente são muito parecidas. Eu acho música mexicana e escocesa, por exemplo, tudo igual. Mas tenho algo bom aqui… (Westlife).”

– Família: “Meu pai é agente secreto da Jordânia. Eu não posso dizer o que ele faz porque é meio que secreto.  Trabalha com a CIA e é bem famoso aqui, com o rei, você sabe…”

– Problemas com a lei: “O policial me parou, eu disse ´Ok, no problem´, ele me pediu dinheiro, eu disse ´Ok, no problem´. Depois ele quis apreender minha carteira de motorista, eu disse ´Ok, no problem´, mas no fim tudo deu certo. Aqui para tudo se dá um jeito.”

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