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Israel: Jerusalém

março 21, 2010

Sempre ouvi coisas distintas a respeito de Jerusalém e, anteontem, ao descer do ônibus concordei com todas elas – ou com todas as que pude lembrar. Há algo no ar da cidade, uma atmosfera distinta, uma sensação peculiar amplificada pelos gritantes contrastes que são jogados na sua cara a cada esquina, Jerusalém brinca com todos os sentidos, o tempo todo, e de maneiras que não sou capaz de reproduzir com palavras. Nem sempre de forma agradável, mas sempre de maneira inusitada. Jerusalém é uma entidade e, de fato, minha primeira cidade no Oriente Médio.

Por todos os cantos, seja dentro das muralhas da cidade velha, ou nos subúrbios arábes ao leste, a cidade desafia o tempo e as constantes guerras que sofreu e mantém sua arquitetura em boa forma e em grande estado de conservação. Andar pela cidade velha é certamente uma das experiências mais intensas que uma pessoa pode ter em vida – a cidade é dividida em blocos (quarters), sendo eles cristão, muçulmano, armênio e judeu. Não há uma divisão clara entre eles mas não precisa ter um olhar atento para perceber quando se cruzou a linha de um para outro, são 4 lugares completamente diferentes dentro de um espaço relativamente pequeno. Não são diferentes só no aspecto arquitetônico e de organização, mas também na forma como as pessoas se comportam e se vestem.

A fé, evidentemente, tem seu ápice no coração da cidade. As demonstrações de fiéis aqui e ali, nas mais distintas formas, são o testamento vivo da devoção e, porque não dizer, fanatismo de muitos. É difícil descrever o número de situações que passei em apenas um dia andando pelas estreitas alamedas da cidade e visitando lugares como o Muro das Lamentações, Via Dolorosa, entre outros. Não consegui esboçar reação além do espanto e, ocasionalmente, o desdém seguido de um suspiro respeitoso.

Mesmo sendo ateu me senti tocado e atingido pela cidade e pela devoção de tanta gente. Avistar suas muralhas pela primeira vez é algo indescritível, assim como andar pela cidadela ou adentrar as diversas igrejas, sinagogas e mesquitas. Jerusalém é algo vivo e intenso.

Curiosidades

– A síndrome de Jerusalém: reconhecida como uma condição médica que requer tratamento, a síndrome ocorre quando visitantes se sentem arrebatados pela significância histórica da Cidade Sagrada e chegam a conclusão de que eles são figuras bíblicas e que o fim está próximo. A maioria já teve problemas de comportamento anteriormente, segundo dizem, mas muitos eram considerados “normais” até então. Ocasionalmente é possível ver algum deles perambulando pela Ben Yehuda St.

– Shabbat: o sábado é o dia do descanso, enquanto em Tel-Aviv isso significa que é hora de beber e dançar, em Jerusalém TUDO para. Evidentemente que sempre há pubs abertos aqui e ali, mas de forma geral a cidade dorme. Em lugares onde normalmente se leva tempo para cruzar por conta do trânsito caótico de carros e pessoas, anda-se sozinho com um silêncio perturbador e ausência de pessoas ou carros.

– Monte das Oliveiras: reza a lenda que é o lugar onde o messias voltará e deus irá redimir os mortos. Em termos práticos é um bom lugar para se ter a melhor visão de Jerusalém, e durante a manhã é quando se tem a melhor condição de luz. O fato de que o lugar é mencionado como o palco de significante evento faz qualquer um entender porque os cemitérios na encosta são tão populares. Aparentemente um pedaço de terra aqui, muito popular entre os judeus (mais de 150.000 já foram enterrados ali), pode sair bem caro.

Dicas

– Durante o Shabbat a melhor opção para compras está nas áreas árabes da cidade. O centro e demais áreas ficam completamente vazios e lojas fechadas. Vale uma visita ao Muro das Lamentações pela manhã, mas lembre-se que uma vez que adentrar o patio é proibido tirar fotos. No fim de tarde há uma refeição especial próximo ao Muro, a comida é de graça, mas é preciso ouvir algumas palavrinhas antes de cair de boca. Vale a pena, no entanto – a comida é boa.

– Vida noturna: Jerusalém não chega a cativar muito mas tem algumas opções. As melhores opções estão em Rivlin e Yoel Solomon St no centro da cidade. A cidade velha é mais seca que o deserto. Uma boa opção é o pub Stardust em Rivlin St, para fugir da massa de pós-adolescentes americanos que infesta a maioria dos pubs locais e ouvir um pouco de indie rock. A maioria dos pubs tem promoções entre 6 e 9.30/10 da noite, onde os drinks são todos vendidos pela metade do preço.

– Antes de beber talvez seja uma boa idéia comer um pouco, as melhores opções para o bolso estão em Jaffa Road (Yafo Rd). Dentre elas vale destacar o vegetariano Village Green e o descolado Coffee Bean. Em fato não há melhor indicação, eles estão um de frente ao outro em Jaffa Road e ao lado de Rivlin St (e do supracitado pub Stardust).

– Finalmente, a partir de Jerusalém é possível fazer um bom número de passeios, seja para o Mar Morto ou para cidades da Cisjordânia. Uma boa companhia é a Alternative Tours, para fugir um pouco do mar de turistas. A maioria dos passeios tem conotação política e visa conscientizar o visitante do problema que os palestinos enfrentam, entretanto há também passeios mais comuns.

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