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Próxima Parada – Oriente Médio (1/3)

fevereiro 3, 2010

Israel/Palestina

Viajar por Israel e Palestina tem dois lados distintos. Israel é moderna e ocidentalizada, conta com transporte público de qualidade, infraestrutura e tem inglês praticamente como terceira língua. É um país pequeno, reduzindo assim o tempo na estrada entre um lugar e outro além dos preços do transporte, entretanto, de forma geral os preços tendem a ser altos e comparados com a maioria dos países do Ocidente. Pouca coisa precisa ser planejada no sentido de vistos, passeios e acomodação e é um desses lugares que você pode simplesmente decidir na última hora que vai passar alguns dias e voar para lá.

A Palestina, no entanto, é outra história. Infraestrutura está abaixo dos padrões mínimos e depender unicamente do inglês pode ser um desafio. Enquanto Gaza é inacessível para turistas, qualquer um pode visitar o “West Bank”. Passeios para o West Bank são uma excelente idéia, e recomendados mesmo para os que preferem fazer as coisas por conta própria, pois a maioria dos passeios organizados envolvem muita informação sobre a situação local e também segurança.
Bom, mesmo considerando isso e um pouco mais, amigos e família ficaram perplexos ao saberem desse meu próximo destino, dada a reputação de guerras e terrorismo na região. Vale lembrar que mais pessoas morrem em acidentes de trânsito quando vão para o litoral ou interior do que em ataques terroristas em Israel e na Palestina.

O roteiro
Saindo de Londres, a primeira parada é Tel-Aviv. A cidade que nunca para e não conhece finais de semana, porque todo dia é “final de semana”. Conhecida por sua população laica, extremo oposto de Jerusalém, e suas intermináveis noitadas em casas noturnas e bares, Tel-Aviv é uma cidade moderna que poderia estar localizada em qualquer parte da Europa.

Após alguns dias e festas em Tel-Aviv, sigo rumo a Jerusalém, a cidade da qual pessoas vem escrevendo a respeito nos últimos 3.000 anos. Mais do que bela, Jerusalém é um centro espiritual, e local sagrado para judeus, cristãos e islâmicos. Mesmo não sendo religioso, o fato de que três das maiores religiões do planeta reservam tanta importância a uma simples cidade faz da visita a Jerusalém algo especial e deve ser difícil não ceder a certo apelo emocional ao cruzar as antigas ruas e alamedas da cidade velha. A partir de Jerusalém faz-se obrigatória a visita ao Mar Morto e ao forte de Massada.

Depois de vários dias em Jerusalém, contando o Shabbat, é hora de ir para a Palestina. Uma breve visita a Ramallah e sigo para Belém, Herodian e o maior campo de refugiados da região. É hora de ver a realidade dos palestinos, a muralha que divide os dois povos e conversar com os locais. Essa é uma parte que considero muito importante, e certamente pode mudar muitas idéias pré-concebidas a respeito do que acontece por lá.

Volto a Jerusalém e de lá sigo para Haifa, com paradas em Caesarea e Megiddo, a primeira são as ruínas de uma importantíssima cidade no passado (comparada a Alexandria nos tempos de glória) e o segundo é onde, de acordo com a lenda, o Apocalipse vai começar. Haifa, por outro lado, é um exemplo de coexistência pacífica entre árabes e judeus e repleta de história. A cidade data do século III e foi construída nas encostas do Monte Carmelo além de ser casa do Centro Mundial Bahá´i, um patrimônio mundial da UNESCO. Após a breve visita a Haifa é hora de cair na estrada e ir para Acó (Akko ou Acre), cidade medieval dos cruzados que se encontra perfeitamente preservada. Dizem que as coisas não mudaram muito desde a época dos cruzados e Marco Polo, e tem se um sentido real de cidade medieval ao andar por suas ruas estreitas, especialmente ao anoitecer.

Finalmente, após uma noite em Acó é hora de fazer as malas e partir rumo a Jordânia, porém não sem antes parar por algumas horas e um pouco de hummus em Nazaré, onde o tal Jesus teria vivido sua infância. Ao contrário de Acó, as coisas aqui parecem que  mudaram bastante, e não tem mais qualquer semelhança com os cartões de natal. De Nazaré rumo a fronteira, com uma breve parada nas ruínas de Beit She´an, a maior das ruínas deixada pelo império romano em território israelita. Depois disso, um táxi até a remota fronteira e… burocracia.

Lamentavelmente faltará tempo para o Mar da Galiléia, mas tudo por uma boa razão, passar mais tempo na Jordânia.


Curiosidades

– A semana começa no domingo e termina na quinta. Sexta e sábado é o final de semana. O horário comercial vai das 9 as 7, e tem um intervalo das 2 as 4, quando lojas se encontram fechadas. Em vizinhanças árabes, o Shabbat (sábado) é ignorado e o comércio funciona, mas geralmente é fechado na sexta, que é o dia de descanso para os árabes. Confuso? Em lugares de maioria cristã, o domingo é o dia do descanso.

– Os idiomas oficiais são o Hebreu e o Árabe. Mas inglês é bem falado pela maioria dos israelitas.

– Em Tel-Aviv é muito raro ver um executivo vestindo terno e gravata. Enquanto no ocidente, escritórios abordam um caráter mais informal na sexta, em Tel-Aviv isso vale para toda a semana.

– O simples visto de Israel no passaporte fecha as portas para certos países. O visto significa que o portador do passaporte está banido da Síria, Líbano, Irã, Arábia Saudita, Líbia e Iêmen. E pode ter problemas  no Bahrain, Catar, Emirados Árabes e Oman, mas estes são mais flexíveis. Muitas pessoas pedem o visto israelita em um pedaço de papel, mas os oficiais de imigração dos primeiros países citados podem ser meticulosos, e se você tem um carimbo de entrada na Jordânia ou Egito, recebido na fronteira com Israel, sua visita está cancelada.

– As fronteiras de Israel com Líbano e Síria estão fechadas. Não há como cruzar para esses países, e há riscos de minas terrestres no caminho, de qualquer forma.

– Uma das maneiras mais baratas de viajar até Israel é a partir de Frankfurt e, principalmente, Londres. Pela easyjet consegue-se vôos por menos de £150 (retorno) se comprado com antecedência e fora de qualquer época de férias ou feriado.

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