h1

Nova casa

março 4, 2014

Depois de muitos anos, estou reativando os relatos de viagem. No momentos estou apenas transferindo textos antigos e atualizando-os. Em breve novo material

 

http://100rumos.tumblr.com/

h1

Ghent (Gentse Feesten)

agosto 5, 2010

Após toda a agitação do começo do ano, neste fantástico verão europeu foi hora de dar um tempo, acertar as finanças e claro ir em festivais de música. E foi um festival em particular que me levou a Ghent na Bélgica, uma cidade normalmente ignorada por turistas. Localizada na região norte (Flanders) entre Bruxelas, Bruges e Antuérpia, é fácil entender porque a maioria não toma conhecimento da pequena cidade. Ghent não é tão grande e cosmopolita quanto Bruxelas, nem tão bela quanto Bruges e tampouco antenada e atual quanto a Antuérpia, logo parece sobrar pouca coisa para atrair o visitante, mas se você é do tipo que evita as hordas de turistas, Ghent é uma excelente escolha.

Conhecida como Gent in flamenco e Gand em francês, Ghent foi um dia a maior cidade medieval européia depois de Paris, devido a sua posição estratégica em meio a rotas comerciais da época. Hoje em dia, Ghent é a maior cidade universitária da Bélgica, e embora não tão charmosa quanto Bruges é bem conhecida por seus canais e sua agitada vida norturna.

Gentse Feesten

O terceiro maior festival da Europa, embora pouco conhecido, é um dos mais divertidos e também baratos para se ir no verão. Não é um festival de cerveja, porém é fácil associar a idéia já que na região é possível encontrar mais de 200 marcas diferentes entre liquores e outras bebidas um tanto mais fortes e distintas.

O festival acontece todo ano, durante 10 dias no meio de julho (segunda quinzena). O coração da cidade se transforma completamente, e as muitas praças se tornam palcos e pistas de dança. Todo o acesso a festa é gratuito, e a cerveja de extrema qualidade vem a preços bem mais interessantes que outros festivais espalhados pela europa. A festa começa cedo todo dia, e principalmente durante o fim de semana, é fácil encontrar pessoas chegando para o começo da festa enquanto alguns estão terminando o que haviam começado no dia anterior.

O festival também inclui duas outras “ramificações”: 10 Days Off, um dos maiores festivais techno da Europa, assim como o Blue Note Jazz Fest. Esses dois não acontecem a céu aberto como o festival per se, mas em diferentes casas da cidade e geralmente envolvem a compra de um ticket – nada muito caro, diga-se.

Finalmente, em relação a música que se ouve gratuitamente, raramente se tem nomes de peso, e a seleção do festival é bem eclética, de hip-hop a música africana e rock. Não é um festival para amantes da música, como Glastonbury ou Oxegen, mas serve para aqueles que apreciam uma boa diversão e o melhor é que a festa só é popular mesmo entre os belgas, holandeses e uns poucos franceses, ou seja, a galera local.

Notas

– Cervejas: ir a Bélgica e não provar o maior número de cervejas possíveis é certamente um crime. Nem todo mundo gosta inicialmente, já que a cerveja belga geralmente tem um gosto mais forte e pode ser mais densa que uma heineken qualquer. Uma boa dica é sempre pedir uma recomendação para o barman e, no meio da noite, se preferir não arriscar continue pedindo a que mais gostou. Dentre as minhas favoritas estão Duvel, Leffe, La Chouffe e Vedett.

– A melhor maneira de chegar a Ghent é voando até Bruxelas. O aeroporto de Charleroi, comumente utilizado pela Ryanair, é uma péssima escolha.

– Durante o dia opte por beber e/ou comer as margens do canal. A atmosfera é sempre bem tranquila e os preços não muito diferentes de qualquer outro lugar da cidade. A vista é geralmente fantástica de qualquer ponto a ser escolhido.

– Para um pouco de agitação noturna, o melhor lugar na cidade é o Charlatan. Um bar alternativo, geralmente orientado para o rock que conta com bandas ao vivo de quinta a domingo, além de DJs.

– Ghent é uma das mais belas cidades medievais da Bélgica. Um passeio por entre suas praças e canais é essencial, tanto a pé quanto em um dos barcos. E não deixe de subir a torre do Belfort para uma visão panorâmica da região.

h1

A Importância de Viajar

junho 7, 2010

Muitas pessoas se perguntam qual o real valor de uma viagem. Para alguns é só uma maneira de descansar um pouco, ir para alguma praia, não fazer nada e passar o dia relaxando. Para outros é ficar em um hotel luxuoso, ver lugares distintos, ir as compras, etc. Mas uma das maneiras mais significativas de aproveitar uma viagem é entrar na cultura local, sair da rota dos turistas e ter acesso a diferente realidade das pessoas que vivem em determinado local.  Abaixo uma breve análise de cinco distintos escritores a respeito do valor de uma viagem e as diversas formas que isso pode mudar a mente e a vida das pessoas.

Mark Twain: “Daqui a vinte anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte as amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.
Um dos maiores escritores da América, amigo de presidentes e pessoas importantes de sua época, Twain escreveu sobre suas jornadas pela Europa e pelo Oriente-Médio nos best-sellers “Innocents Abroad (1869)” e “A Tramp Abroad (1880)”.
Twain capturou precisamente a importância de abrir sua mente em uma de suas citações mais famosas: “Viajar é letal para o preconceito, intolerância e mentes fechadas”.
Fato interessante é que Mark é muito conhecido por seus livros com as aventuras de Huckleberry Finn e Tom Sawyer, mas “Innocents Abroad” foi o livro mais vendido de toda sua obra.

Maya Angelou:  “Eu entendo que ser exposto a existência de outras línguas expande nossa percepção de que o mundo é povoado não apenas por pessoas que falam idiomas diferente umas das outras, mas cuja cultura e filosofia são completamente diferentes das nossas.
No livro “Wouldn´t Take Nothing for My Journey Now” a poetisa americana Maya Angelou cita que viajar é a esperança de que reconheçamos que todas as pessoas choram, riem, comem, preocupam-se e morrem.
Ela acreditava que se conseguissemos compartilhar essas experiências, estaríamos mais propícios a entender uns aos outros e talvez até nos tornarmos amigos. Quantas vezes você olhou ao redor em um café, bar ou parque em um país diferente e percebeu que isso é tão verdadeiro?

Margaret Mead: “O viajante que deixa seu lar é mais sábio do que aquele que nunca se aventura para além de casa, pois o conhecimento de uma outra cultura aperfeiçoa nossa habilidade em analisar com maior perspicácia, e apreciar, a nossa própria.”
Uma das grandes recompensas do viajante é desenvolver um entendimento muito maior de seu próprio lar ao se adaptar aos diferentes padrões e realidades de outras culturas.
Margaret Mead, antropologista americana conhecida por seu livro “Coming of Age in Samoa” nos lembra de que ao observarmos outras culturas de perto, nos tornamos capazes de aplicar esse mesmo nível de percepção e apreciação de nossas próprias raízes.

Samuel Johnson: “Cada nação tem algo peculiar em seus produtos, obras de arte, curas, agricultura, modos e sua política. O sábio viajante é aquele que leva para casa algo que pode beneficiar seu próprio país; que procura por deficiências ou circunstâncias sinistras que possibilitem a seus leitores comparar sua própria condição a de outros, a tentar melhorar sempre quando esta for pior, ou valorizá-la quando for melhor.”
Em 1760, numa coluna para o The Idler, o escritor inglês Samuel Johnson apontou uma das maiores recompensas de viajar: trazer um novo conhecimento de diferentes maneiras de viver de forma que beneficie seu próprio país. Numa escala menor, trazer algo que signifique algo para você e para aqueles ao seu redor.

Rosalia de Castro: “Eu vejo meu caminho mas eu não sei para onde ele me leva. E não saber onde estou indo é o que me inspira a viajar.
O melhor momento de viajar é sempre o “agora”. E mesmo se isso signifique que você não sabe para onde está indo, é não saber que torna as coisas mais excitantes. Não importa quais sejam seus planos, ou roteiros, a única certeza é que em uma jornada haverão muitos momentos completamente imprevisíveis. Rosalia de Castro, poeta e escritora galícia, acreditava que o caminho para o desconhecido é o que nos inspira. Afinal de contas, se você não está certo de onde está tentando chegar, não há como se perder.

Para finalizar, sintetizo com…
Sartre: “Viajar é a melhor escola… É como um súbito distúrbio no padrão. Se eu estivesse partindo em uma viagem, eu deveria escrever notas sobre cada aspecto de mim mesmo antes de partir, assim no meu retorno eu poderia comparar o que eu costumava ser com o que eu passei a ser. Alguns viajantes mudam drasticamente, tanto físico quanto mentalmente, que alguns de seus parentes mais próximos se quer o reconhecem quando estes retornam.

h1

Egito: Luxor

maio 6, 2010

Dizer que Luxor é o maior museu a céu aberto do planeta pode dar uma vaga idéia do que se encontra em um dos lugares mais fantásticos do Egito – e do mundo. É tudo tão majestoso e ainda impressionante, mesmo milhares de anos após ter sido originalmente concebido, e certamente um  lugar inesquecível para quem quer que já tenha um dia pisado neste solo.

Essa é a região do vale do Nilo, um dos trajetos mais belos do rio em todo o país, e embora o lado leste da cidade seja uma parte relativamente moderna e tenha crescido muito rápida e desorganizada, o cenário ainda é magnífico.  O Nilo flue entre a cidade moderna ao leste e a necrópolis e fazendas do lado oeste, com os desfiladeiros de Theban ao fundo. Espalhados entre essa bela paisagem estão os templos de Karnak e Luxor, ao leste, e os templos de Deir al-Bahri e Medinat Habu, a imensa estátua de Memnon e o Vale dos Reis.

A riqueza da região, na antiguidade, era lendária, mas foi só no século 18 que os viajantes europeus redescobriram a região. Desde então Luxor é palco de lendas sobre tesouros e maldições, e muitos peregrinos já passaram pela região, entretanto hoje em dia o visitante apenas corre o risco de se encontrar perdido em uma multidão sem fim de turistas e vendedores locais.

Luxor merece alguns dias. É muito difícil, após ter visto tantas coisas impressionantes ao norte, chegar a Luxor e absorver toda a informação e grandiosidade ao redor. Nos primeiros dias tentei ver o máximo que pude e, rapidamente, fiquei exausto. Tudo bem que o calor de 40 graus (no verão chega a 55), o cansaço da viagem (9 horas de trem, Cairo/Luxor, pela madrugada) e a teimosia dos vendedores locais (que não aceitam “não” e continuam a cobrar 5x mais do que deviam) ajudaram até certo grau, mas a quantidade de histórias, monumentos, detalhes, templos, colunas, estátuas, tumbas, etc que se vê ao redor pode ter um efeito confuso devastador. Depois de alguns dias em Luxor, eu precisava de algo mais simples, viajei para Hurghada – sol e cerveja, e praia.

Dicas

– O Vale dos Reis é muito interessante, mas não espere nada grandioso – ok, você talvez não vá esperar mais nada grandioso se já tiver ido aos templos. Um dos pontos altos do local, eu penso, seja o estado de conservação dos ornamentos e decoração das tumbas. Tente ir o mais cedo que puder, assim que o lugar abrir, o sol depois das 10 acaba com qualquer um. Um guia para o vale é ESSENCIAL!

– Templo de Karnak e Luxor: Não saia de Luxor sem visitar esses dois templos. A Karnak reserve a manhã, novamente vá o mais cedo que puder, o sol depois das 10… já sabe! No Templo de Luxor, no centro da cidade, vá ao fim do dia e não deixe de ver o templo iluminado ao anoitecer.

– Se tiver que escolher entre os templos do West Bank, Medinat Habu é provavelmente a melhor escolha. Se já tiver visto os templos de Karnak e Luxor, prepare-se para não ficar tão impressionado.

– O trem noturno (overnight) de Cairo para Luxor é uma boa pedida. Tickets podem ser comprados na estação de trem Ramses II no Cairo, e é sempre bom comprar com alguns dias de antecedência. Leva em torno de 8 horas, e eu recomendo a viagem na primeira classe – dorme-se bem, tem ar condicionado e a comida é razoável. Custa em torno de 50 euros! (o preço indo para Aswan é o mesmo)

– Se for a Hurghada ou ao Sinai depois de Luxor, fique muito atento aos ônibus. Por razões de segurança, poucos ônibus fazem o trajeto diariamente e são geralmente acompanhados por escoltas policiais, além de estarem sempre lotados. Novamente vale o bom-senso de comprar com alguns dias de antecedência.

– Luxor é, em muitos sentidos, pior que o Cairo e espere ser sempre abordado na rua. Ninguém vai ajudá-lo a troco de nada, e não importa o que te digam, vão estar sempre cobrando PELO MENOS 2x mais, assuma que é 3x e barganhe.

– Finalmente, ao beber cerveja tome a Stella local. A Stella européia custa bem mais caro e nem é tão diferente. O preço da garrafa, no bar, em abril de 2010 era 8 egyptian pounds (ou 1.10 euro).

Por fim, ter viajado o Egito foi uma experiência fascinante. Nunca me senti tão confuso com tanta HISTÓRIA ao meu redor. As pessoas são generosas, porém é muito difícil distinguir quem o faz genuinamente e quem deseja apenas ganho pessoal, por mais que a situação seja ruim e as pessoas o fazem pelo desespero, ninguém gosta de ser enganado.
Eu espero voltar um dia ao país, mas isso pode ser daqui uns 20 anos ou mais. Não é um lugar fácil de se viajar, é preciso muita paciência e, sobretudo, muito conhecimento da história local – e isso leva um bom tempo. E parte da minha boa experiência também se deve a três israelenses que me acompanharam por essa tour no Egito, sem eles parte da diversão não teria acontecido!

h1

Egito: Giza, Saqqara e Dahshur

abril 18, 2010

Visitar o Egito e não ir até as pirâmides de Giza é simplesmente non-sense.  O mais velho e impressionante lugar em todo o Egito, as pirâmides de Giza são um atestado da força e riqueza que uma vez esteve presente nessa parte do mundo. E não é só, após alguns dias imerso no caos da capital, o caminho pelos subúrbios para se chegar até Giza revela uma paisagem diferente, com campos verdes e palmeiras as margens das areias do deserto e do Rio Nilo.

E embora a maioria das pessoas associem o Egito com as pirâmides de Giza, há no total cerca de 90 pirâmides espalhadas pelo país. Algumas são apenas escombros enquanto outras são tão impressionantes quanto as de Giza, entretanto chegar até elas não é uma das tarefas mais simples. Para tal, uma boa opção que encontrei é contratar um taxista (cerca de E£200) por um dia, e a partir do Cairo fazer um tour pela antiga capital Memphis, pela impressionante pirâmide de Zoser em Saqqara, as pirâmides de Dahshur e, claro, Giza.

Memphis foi declarada a capital do Egito em 3100 AC e pela maior parte do período faraônico, essa era a capital do Egito. A cidade já foi um dia repleta de palácios, jardins e templos, mas hoje em dia pouco restou para mostrar tais tempos de glória, e a visita a cidade vale mais como um ato simbólico de pisar no solo onde, há muito tempo, o Egito era controlado. Próximo a Memphis e muito mais interessante está Saqqara – antigo cemitério da capital por ceca de 3.500 anos e o maior sítio arqueológico do país. A pirâmide Saqqara só foi descoberta em 1924 e continua sendo restaurada, tendo sido a primeira pirâmide que vi, foi um tanto impressionante – vale também uma breve visita a Necrópolis enquanto o museu não é tão bom, mas está incluso no preço.

10 kms ao sul de Saqqara está Dahshur, e embora antigamente houvessem cerca de 11 pirâmides na área, atualmente existem apenas duas, porém são impressionantes e definitivamente merecem uma visita. São duas pirâmides razoavelmente grandes, e é uma boa idéia descer por uma delas, já que o interior das pirâmides são basicamente iguais e a sensação de descer não é das melhores – muito calor e o ar lá dentro é terrível, logo com menos pessoas percorrendo o caminho a experiência é um pouco melhor quando comparado com Giza.

Finalmente as pirâmides de Giza. A primeira visão das pirâmides pode ser um pouco chocante, o platô onde se encontram fica no meio do congestionado subúrbio de Giza. Há duas entradas, e visitantes que chegam via transporte público geralmente dão de cara com a pior delas, enquanto taxis e tours vão até a segunda entrada, próximo da Esfinge, e muito mais agradável. Uma excelente idéia é percorrer a área nas costas de um camêlo. Isso praticamente dobra o preço da visita, mas vale pela vista panorâmica que não se teria de nenhuma outra forma. O lugar fecha as 4 da tarde, mas para apreciar o pôr-do-sol há vários coffee shops com terraço e visão privilegiada. Finalmente, um pouco mais tarde há o “Light and Vision show”, não é nada demais, porém é legal ver as pirâmides iluminadas de diferentes formas.


Notas

– A “cena” turística ao redor das pirâmides é intensa e pode incomodar um bocado. Praticamente em todo canto há alguém vendendo cartões postais ou pequenas lembranças, e geralmente um simples “não” não vai convencer. Basta dizer que as pirâmides têm sido atração turística desde quando foram construídas e provavelmente haviam pessoas oferecendo uma volta em um camêlo ou coisa do tipo desde então. De qualquer forma, fique atento aos seguranças, eles não fazem nada que não envolva algum tipo de pagamento extra.

– Descer as pirâmides é uma experiência legal, mas como disse antes, elas são bem parecidas internamente e não há muito para se ver – já que tudo encontrado foi levado para museus. Porém vale dizer que o ar é terrível, e a maior parte do tempo tem-se a sensação de que não é suficiente, o calor é extremo e quanto maior o número de pessoas descendo, evidentemente, pior. Para descer o túnel, uma boa dica é fazê-lo de costas.

– Encontrar um taxista decente pode dar um pouco de trabalho, felizmente encontrei uns americanos em Petra que me recomendaram um dos bons. Jacoub é uma das pessoas mais honestas que conheci no Cairo e vai “tomar conta” de tudo o tempo todo, não deixando que ninguém tire proveito de você. Ele também providencia um ótimo café da manhã que já está incluso no preço. E para finalizar ele não é um desses caras que ficam falando o tempo todo, em fato ele só fala quando perguntado. Pode ser encontrado no telefone 0127238002  ou pelo e-mail da filha: margret.barsome78@gmail.com . Eu o recomendo sem pensar duas vezes!

h1

Egito: Cairo (Fotos)

abril 8, 2010

Eu já estava preparando o post sobre outras partes do Egito quando pensei novamente e conclui que deixei tanta coisa de lado quando falei sobre o Cairo. Esses dias pela cidade foram repletos de sentimentos, nada ameno, sempre oscilando entre amor e ódio. Essa cidade exerce essa força, manipula os sentimentos, desperta o amor e o ódio em questão de horas. Agora, posso dizer seguramente que amei o Cairo, mas amanhã talvez eu volte a odiar. Deixo as palavras de lado e compartilho algumas fotos tiradas por meu companheiro de viagem Shahar, de posse de uma câmera um tanto melhor que a minha, por nossas voltas pela cidade e tentativa de capturar as pessoas desse planeta que é o Cairo.

h1

Egito: Cairo

abril 2, 2010

Definir o Cairo em poucas linhas é uma tarefa árdua, e provavelmente impossível. O número de pessoas e carros nas ruas é inimaginável, e frequentemente pessoas lhe abordam para vender coisas – mesmo quando aparentemente não é um vendedor, acredite, é um vendedor. Atravessar a rua é uma aventura, há poucos semáforos e eles não parecem fazer muito sentido, além disso o ar da cidade é extremamente pesado e poluído, somado a poeira constante em toda a parte, e o sol que nunca dá descanso. Isso tudo é um preço pequeno para visitar um dos centros do planeta, com mais de 20 milhões de habitantes e contrastes que desafiam qualquer mente.

Se você acha que vive ou já visitou uma cidade que nunca para, pense novamente no assunto caso nunca tenha vindo ao Cairo. É possível sair as 2hs da manhã e comprar um par de sapatos ou comida para o cachorro. Há uma energia constante, e a cidade funciona 24/7. Há lixo, poeira e barulho por toda a parte e mesmo assim as pessoas parecem felizes e bem humoradas.

Para explorar o Cairo são necessários alguns dias, isso sem contar a visita básica as pirâmides de Giza. Os contrastes já mencionados vão das ruas largas e relativamente organizadas do centro (downtown), passando pelos túneis do centro velho (coptic cairo), pelas ruas estreitas e sujas do bairro islâmico até o topo da cidadela medieval. Mas isso ainda é pouco para ilustrar tantas diferenças. Há a cidade dos mortos, onde famílias ocupam casas dentro do que ainda é um cemitério, ou um bairro que funciona basicamente como um centro de reciclagem da cidade. Andar pela cidade exige um bom guia e muita malandragem para escapar dos mais diversos tipos de enganação e ludibriagem empregada pelos locais.

O Cairo não é uma cidade qualquer e certamente tem o poder de despertar amor e ódio no visitante, ou ambos em diferentes circunstâncias. Mas, acima de tudo, é um lugar para se visitar, talvez mais de uma vez se a cidade te conquistar.

Notas

– O Egito é um país muito barato, mas os preços sobem quando se visita as atrações turísticas – e ainda, de cara, é enganado por um ou outro. Carteira de estudante internacional ajuda bastante a minimizar os gastos.

– O “Egyptian Museum” é uma atração a parte. É preciso muitas horas e dias para ver tudo o que está em exposição e não ajuda muito o fato de que a organização não é clara. É essencial contratar um guia ou dispor de um livro explicando cada área. Mesmo para quem não gosta de museu, é difícil não ficar impressionado com, pelo menos, a área das múmias e dos tesouros.

– Ser ludibriado no Cairo é extremamente fácil. Não acredite em ninguém, não acredite em hospitalidade e generosidade. É triste mas é fato, a maioria só está lhe tratando bem porque tem algum interesse. Não aceite nada sem saber o quanto vai pagar antes, negocie o preço do taxi, negocie TUDO. Geralmente o preço oferecido é 3x mais o que realmente vale. Mesmo em museus ou atrações, se alguém oferecer um ticket ou qualquer coisa, peça pelo comprovante antes de pagar. Mas tenha certeza, por mais esperto que seja e dicas que tenha recebido, alguém vai te enganar.

– Apesar de toda a pobreza espalhada pelos subúrbios e de muitos tipos estranhos e suspeitos a primeira vista, a cidade é segura e passa essa sensação o tempo todo. Andando por todo tipo de lugar, nunca tive a menor sensação de que alguém poderia me roubar ou qualquer coisa do gênero, mesmo durante a noite. No entanto, como eu disse antes e vale frisar, tem sempre alguém querendo enganar.

– Boas desculpas para fugir dos pilantras, incluem:
“Essa é minha terceira visita ao Cairo, eu conheço bem como as coisas funcionam.”
“Eu moro aqui e estou mostrando a cidade a meu amigo, não preciso de ajuda.”
“Não, não, não… não.”

Essencialmente, mesmo se estiver perdido, demonstre confiança. Não acredite em convites para festas, em especial certas histórias sobre festa de casamento no dia seguinte, histórias sobre tickets alternativos, ou qualquer coisa assim. Enfim, é um pouco ruim dizer isso, mas não seja legal com as pessoas. E não deixe que isso estrague sua viagem ao Cairo!

– Petra ao Cairo: Enquanto planejava a viagem, tive poucas informações sobre este trajeto. Mas basicamente é possível fazê-lo e bem fácil. A melhor maneira é cruzar a borda entre Aqaba na Jordânia com Eilat em Israel – e a melhor forma de fazê-lo é passando a última noite em Aqaba, daí um taxi até a fronteira (5JD). Da parte israelita outro taxi até a fronteira com Taba (50 shekels), e finalmente em Taba 1km a partir da fronteira tem a estação de ônibus. East Delta Bus têm 3 a 4 ônibus por dia ligando Taba ao Cairo, que custam cerca de 80 Libras egípcias. O primeiro parte as 10h30 da manhã, mas há muitos motoristas de minibus que oferecem a viagem por cerca de 700/800 libras, divididas entre os interessados. É um pouco arriscado, os caras dirigem o tempo todo a 150km/h numa estrada que muitas vezes é ruim e cheia de curvas. Foi a maneira que eu fiz, mas foi uma viagem bem tensa. O ônibus leva até 8 horas, o motorista particular levou 5h30.