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Newcastle-upon-Tyne (Geordieland)

janeiro 10, 2010

Distante de Londres e dos campos verdes do sul da Inglaterra, o nordeste inglês sempre foi a fronteira do país, imerso em suas próprias paixões, sentimento de independência e  uma sensação de isolamento do resto da ilha. A história da região foi sempre muito complicada, desde os romanos e a construção da muralha de Hadrian (que serviu de fronteira do império por cerca de 300 anos) até a industrialização pesada da região.
Embora o progresso industrial tenha cessado e os tempos de mineração chegado ao fim, as cidades da região continuam muito vivas, e nenhuma mais do que Newcastle, um dos centros urbanos mais dinâmicos da Inglaterra. Newcastle é uma cidade moderna e antenada com o futuro, embora algumas décadas atrás isso seria impensável, após a queda das indústrias de carvão a cidade cambaleou bastante até chegar onde está. A vida noturna é impressionante, com seus diversos restaurantes servindo os mais variados tipos de comida a pubs e boates que não deixam muito a desejar quando comparados com os da capital Londres, e com a vantagem de ter um preço muito mais acessível – para os padrões ingleses. Durante o dia a cidade também ferve com suas galerias de arte, museus e mercados – mas esteja sempre preparado para o vento e a chuva em qualquer época do ano.

É impossível falar de Newcastle e não enfatizar a vida noturna. Milhares de pessoas visitam a cidade na sexta e se mandam no domingo exaustos após muitas baladas e bebedeiras. É impressionante o número de pessoas que vão a cidade para suas despedidas de solteiro, espere ver cenas perturbadoras (e hilárias) no decorrer da noite. Apesar de sua sofisticação, Newcastle é sinônimo de baladas alucinantes e extrema diversão.

Geordieland

Geordies (como são conhecidos os “locais”) nutrem um forte sentimento de independência e são unidos tanto por sua dura história quanto pelo complexo dialeto – o mais próximo do inglês arcaico. São também os mais amigáveis das terras da rainha.
A cidade de Newcastle, a capital da região, é dividida pelo rio Tyne, e embora pareça uma coisa só, ao sul do rio é a cidade de Gateshead – enquanto ao norte é Newcastle propriamente dito. As maiores atrações locais estão nas margens do rio Tyne, desde as famosas pontes (Tyne bridges) até os modernos museu de arte contemporânea Baltic do outro lado do rio (Gateshead) e a peculiar casa de shows Sage. Voltando a Newcastle vale a pena visitar o castelo que deu nome a cidade, porém não espere muito já que boa parte foi “engolida” pela estação de trem e o que restou é apenas uma pequena parte do que foi em outras épocas. O centro da cidade, em estilo vitoriano, é de uma elegância só. É impossível não ficar vislumbrado ao dar uma volta pela “Grey St” a via principal da cidade e eleita uma das mais belas da Inglaterra. A Laing Art Gallery e o Life Science Centre podem ser boas visitas caso exista algum interesse por arte e ciência como o nome sugere.

Outros passeios interessantes nas cercanias da cidade são:
- Angel of the North: uma das obras de arte mais frequentemente vista no mundo é a estátua do “Anjo do Norte”. Essa estátua de 200 toneladas e 20 metros de altura na forma de um humanóide com asas fica localizada numa colina ao lado de uma das principais rodovias do país – é simplesmente impossível não avistá-la. Para chegar até lá basta pegar o ônibus 723 ou 724 a partir de Eldon Sq ou 21, 21A e 21B da Pilgrim St.
- Durham: tipicamente inglesa, essa pequena cidade tem poucos mas singulares encantos. Uma das melhores coisas é chegar bem cedo, descer a rua da estação e avistar uma das mais belas catedrais inglesas no topo da colina, ao lado do rio que cruza a cidade. A catedral é uma obra de arte arquitetônica por si só, no alto da cidade ao lado de um grande castelo e cercada de estreitas alamedas cheia de estudantes de uma das mais conceituadas universidades da região. É um passeio que ocupa metade de um dia, é barato e vale a pena.
- Hadrian´s Wall: a construção romana mais famosa no Reino Unido foi levada adiante no ano de 122 DC pelos romanos para manter os bárbaros distantes das terras civilizadas, ou pelo menos é o que eles pensavam estar fazendo. Na verdade a muralha é mais uma marca fronteiriça que parte de uma impenetrável defesa, já que um ataque concentrado em qualquer ponto dela poderia certamente ser bem sucedido em trespassá-la.  Seja qual for a razão, a muralha se estende por mais de 100kms e é um impressionante testamento da ambição do império Romano. Uma boa dica é fazer um tour a partir de Newcastle, pegue o ônibus 602 para Hexham e a partir dali o ônibus AD122 (!) que faz todo o percurso da muralha, tudo pode ser arranjado no centro de informação ao turista.

Baladas!

Bom, infelizmente não há muito mais a se fazer na região, mas quando a noite chega é que Newcastle mostra sua face mais interessante. Casas noturnas estão em todos os cantos, dentre as mais famosas estão Digital, Foundation e World Headquarters. Mas minha favorita é certamente Madame Koo, próxima da estação de trem, oferece um bom mix de música pop e rock e boa parte dos frequentadores fazem parte da população local – além do fato de que, aparentemente, o lugar está livre das despedidas de solteiro, ou pelo menos de boa parte delas. Seja qual for sua opção, tenha certeza que a noite vai ser suja e selvagem, e você vai adorar cada momento dela. Não importa o quão frio esteja, pode tirar sua camiseta (manga curta) da mala e ir com ela para a balada, como todo os demais – um vestido curto para as garotas deve resolver.

Notas

- Para quem gosta de natureza e parques, vale uma visita a maior área verde da Inglaterra: o parque nacional de Northumberland. Uma boa forma de chegar até lá é pegando o ônibus de Newcastle até Otterburn.
- O sotaque da região (assim conhecido como Geordie) é um dos mais difícies da língua inglesa. Provavelmente você pedirá as pessoas que repitam o que disseram mais de uma vez e, possivelmente, não entender tudo ao final – ainda que tenham lhe dito umas três vezes a mesma coisa.
- Newcastle é Newcastle e Gateshead é Gateshead. Tente conter o impulso de se referir ao lugar como uma coisa só, especialmente na companhia de pessoas de Gateshead. De qualquer forma, é improvável que vá entendê-los mesmo (eu tive sérias dificuldades).
- A semelhança da ponte Tyne (Tyne Bridge) com a ponte de Sydney (Sydney Harbour Bridge) não é coincidência, já que o design dela foi baseado na ponte australiana. Um fato curioso é que nas fundações da ponte há uma das maiores colônias de gaivotas do mundo (fora de seu habitat natural). Essas gaivotas costumam ter seus ninhos em desfiladeiros, mas a maneira como as fundações de granito da ponte estão dispostas providenciaram um excelente substituto – atenção redobrada ao passar por baixo da ponte, o número de gaivotas sobrevoando a área é absurdo e elas não parecem estar particularmente preocupadas em fazer suas necessidades em pontos específicos do trajeto.

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